Precificação de serviços: quanto cobrar, passo a passo
Por Edson OliveiraPublicado em 16 min de leituraExemplo: estúdio de design
"Quanto eu cobro por isso?" Quando essa pergunta aparece, o instinto manda olhar o concorrente e cobrar parecido. Eu começaria por outro lugar. O preço do concorrente foi feito com os custos, as horas e a margem dele, e nenhum desses números é seu. Se você copia o preço, copia também o erro de quem fez a conta, ou a ausência dela.
Você se reconhece?
- Agenda cheia e caixa vazio O mês fecha com a agenda lotada e mesmo assim não sobra dinheiro.
- Preço copiado A tabela foi montada olhando o vizinho, há dois anos, e nunca mais mudou.
- Medo de reajustar Subir o preço parece arriscar perder os clientes que você já tem.
Neste guia de precificação de serviços, vamos montar o preço de um serviço do jeito que ele precisa ser montado: do seu custo para o valor que você entrega. Para o exemplo, uso um estúdio de design fictício, com números redondos, mas o método serve para qualquer serviço, do salão de beleza à consultoria. Ele faz parte do objetivo precificar e proteger a margem.
Como calcular o preço de um serviço?
O preço de um serviço se calcula com quatro números: o custo da sua hora, as horas e o material que o serviço consome, os percentuais que saem de cada venda (impostos, taxa do cartão, inadimplência) e a margem de lucro que você quer. A conta é esta:
Preço = (custo da hora × horas do serviço + material) ÷ (1 − impostos − taxas − margem)
É o mesmo raciocínio da metodologia do Sebrae. O Sebrae Minas resume a fórmula assim: "Markup = 100 / [100 – (DV + DF + LP)]", em que DV são as despesas variáveis sobre a venda, DF as despesas fixas em percentual e LP o lucro pretendido, e "Preço de venda = Custo Unitário do Serviço x Markup" (Sebrae Minas).
O que muda entre um método e outro é onde os custos fixos entram. Aqui eu coloco tudo no custo da hora, porque é o número que o dono de um negócio de serviços entende de primeira.
O resultado dessa conta é o piso. Ele não diz quanto você deve cobrar; diz abaixo de quanto você paga para trabalhar.
Diagrama
- Piso Custo do serviço mais impostos, taxas e margem: abaixo disso, cada venda tira dinheiro de você
- Referência O preço do mercado: serve para conferir se você está muito acima ou muito abaixo, não para copiar
- Teto O valor do resultado para o cliente: até onde o preço pode subir quando o serviço resolve um problema caro
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Quanto vale a sua hora?
O custo da sua hora é a soma dos custos fixos do mês com o seu pró-labore (a sua retirada mensal), dividida pelas horas que você de fato vende. Três detalhes mudam tudo nessa conta.
Primeiro: o pró-labore é custo. Deixar a própria mão de obra fora do preço é um dos erros que o professor Jordânio Silva Santos aponta na Semana do MEI do Sebrae Pará, como você vai ver mais abaixo. Ela não "sobra" no fim. O seu trabalho é o principal insumo de um serviço, e se ele não está no preço, você está pagando a empresa para trabalhar nela.
Segundo: divida pelas horas vendáveis, não pelas trabalhadas. Quem trabalha por conta própria tem a maior jornada do país: 45 horas por semana em média, contra 39,2 horas de todos os ocupados, segundo a PNAD Contínua do IBGE do primeiro trimestre de 2026 (Agência Brasil). Mas parte dessas horas vai para orçamento, deslocamento, atendimento, cobrança e administração, e ninguém paga por elas. Elas são custo, e o custo precisa ser dividido pelas horas que alguém paga.
Terceiro: meça, não chute. Anote durante duas semanas quanto tempo você passa executando serviço que o cliente paga. É o único jeito de saber o número real. No nosso exemplo, a dona do estúdio trabalha cerca de 180 horas por mês e vende 100.
Se você tem equipe, a hora de cada pessoa entra do mesmo jeito: salário, encargos e benefícios do mês, divididos pelas horas que ela de fato vende.
| Conta do estúdio (fictício) | Valor |
|---|---|
| Custos fixos do mês (software, internet, coworking, contador, reserva para equipamento, marketing) | R$ 2.800 |
| (+) Pró-labore da dona | R$ 4.500 |
| = Custo mensal a cobrir | R$ 7.300 |
| ÷ Horas vendáveis por mês | 100 h |
| = Custo da hora vendável | R$ 73,00 |
| Se dividisse pelas 180 horas trabalhadas | R$ 40,56 |
Dividir pelas horas trabalhadas faz a hora parecer 44% mais barata do que é. É assim que se trabalha muito e não se vê o dinheiro.
Quais impostos e taxas entram no preço do serviço?
Entram no preço os percentuais que saem de cada venda: o imposto, a taxa do cartão e uma reserva para inadimplência. Eles se aplicam sobre o preço final, e por isso entram no divisor da conta, não como um valor somado ao custo.
Simples Nacional. No Simples, os impostos são pagos numa guia única mensal, o DAS. A maioria dos serviços fica no Anexo III ou no Anexo V da Lei Complementar 123/2006. Na primeira faixa (receita de até R$ 180 mil em 12 meses), a alíquota é de 6% no Anexo III e de 15,5% no Anexo V.
Obras, paisagismo, decoração de interiores, limpeza, conservação, vigilância e advocacia ficam no Anexo IV (4,5% na primeira faixa), e nele o INSS patronal da folha é pago fora do DAS, por isso entra no custo da hora.
Para várias atividades, quem decide o anexo é o fator R: a lei manda tributar no Anexo III "caso a razão entre a folha de salários e a receita bruta da pessoa jurídica seja igual ou superior a 28%", e a folha inclui "as retiradas de pró-labore" (art. 18, §§ 5º-J e 24). Abaixo de 28%, a atividade cai no Anexo V, com imposto mais de 2,5 vezes maior na primeira faixa.
Por isso o pró-labore pesa duas vezes: no custo da hora e no enquadramento. Confirme com o seu contador em qual anexo está a sua atividade.
A partir da segunda faixa, a alíquota que você paga de verdade (a efetiva) é menor que a da tabela, porque a lei aplica uma parcela a deduzir. Para saber a sua, divida o valor do DAS do mês pela receita do mesmo mês e use esse percentual no preço, não o da tabela.
ISS. O ISS é o imposto municipal sobre serviços. No Simples, ele já está dentro da guia do DAS. Não some 2% a 5% de ISS por fora: isso conta o imposto duas vezes. A alíquota de ISS de 2% a 5% da Lei Complementar 116/2003 só entra separada para quem está fora do Simples.
MEI. O MEI não calcula imposto como percentual: paga um valor fixo por mês, que em 2026 é de R$ 86,05 para quem presta serviço (R$ 81,05 de INSS e R$ 5,00 de ISS), segundo a Receita Federal. Esse valor entra nos custos fixos.
O limite de faturamento continua em R$ 81 mil por ano (gov.br). Um projeto que sobe esse limite para R$ 110 mil em 2027 e R$ 140 mil em 2028 foi aprovado pela Câmara em 14 de outubro de 2026 e está em análise no Senado; ainda não é lei.
Cartão. No primeiro trimestre de 2026, a taxa média cobrada dos lojistas no Brasil, ponderada pelo valor das vendas, foi de 2,13% no crédito (1,95% à vista e 2,26% em 2 ou 3 parcelas) e de 1,08% no débito, pelo nosso cálculo sobre os dados abertos do Banco Central. É uma média de todo o mercado; a sua taxa está no contrato da maquininha. No Pix, confira se o seu banco cobra tarifa para receber na conta PJ (a conta bancária no CNPJ da empresa).
Inadimplência. Se você trabalha com boleto ou pagamento depois da entrega, reserve um percentual para o cliente que atrasa ou não paga. No exemplo, uso 2% como critério de partida.
Markup ou margem: qual a diferença?
Markup é o número que multiplica o custo; margem é o pedaço do preço que vira lucro. Confundir os dois é, na minha opinião, o erro de cálculo mais caro em precificação, porque ele parece certo.
O jeito errado: custo × 1,30, achando que a margem é de 30%. Num custo de R$ 100, o preço fica R$ 130, e o lucro de R$ 30 é só 23% do preço. E isso antes de tirar imposto e taxa do cartão, que saem do preço, não do custo.
O jeito certo: dividir o custo por (1 − todos os percentuais). Com 30% de margem e nada mais, R$ 100 ÷ 0,70 = R$ 142,86, e aí sim R$ 42,86 são 30% do preço.
O Sebrae ensina a mesma conta com o markup: 100 ÷ [100 − (soma dos percentuais)], o número que multiplica o custo. No e-book do Sebrae RS, 14% de incidências sobre a venda e 10% de lucro dão um markup de 1,32. Multiplicar o custo por esse markup ou dividi-lo por (1 − soma dos percentuais) dá o mesmo preço; o que não dá certo é somar a margem ao custo.
Como precificar um serviço, passo a passo
Passo a passo
- Some os custos fixos do mês e o seu pró-labore.
- Meça as suas horas vendáveis durante duas semanas.
- Divida o custo mensal pelas horas vendáveis: é o custo da sua hora.
- Estime as horas e o material de cada serviço.
- Liste os percentuais sobre a venda: imposto, cartão, inadimplência, comissão.
- Escolha a margem e calcule o preço pelo divisor.
- Compare com o mercado e com o valor do resultado para o cliente.
Os seis primeiros passos dão o piso. O sétimo decide onde você se posiciona acima dele. Cada passo tem um critério de pronto: você sabe o número e de onde ele veio. Se algum é chute, volte e meça.
Onde a conta costuma falhar
- Passo 1: esquecer os custos anuais (renovação de software, anuidade de conselho, equipamento que vai precisar ser trocado). Divida o valor anual por 12 e coloque no mês.
- Passo 2: contar como vendável a hora de orçamento e de reunião que não vira contrato.
- Passo 4: estimar o tempo do serviço pelo melhor caso. Use a média dos últimos trabalhos parecidos e, na dúvida, some uma folga.
- Passo 6: somar o lucro ao custo em vez de usar o divisor.
Exemplo completo: identidade visual de um estúdio de design
O estúdio é fictício. A dona trabalha sozinha, está no Simples Nacional e o custo da hora dela, calculado acima, é R$ 73,00. Um cliente pede uma identidade visual. Pela média dos últimos trabalhos parecidos, o serviço leva 20 horas e consome R$ 120 em licenças de fontes e imagens.
Exemplo com números
Estúdio de design · preço de uma identidade visual
| Linha | Valor |
|---|---|
| Custo das horas (20 h × R$ 73,00) | R$ 1.460,00 |
| (+) Material (fontes e imagens) | R$ 120,00 |
| = Custo do serviço | R$ 1.580,00 |
| Simples Nacional, Anexo III, 1ª faixa | 6% |
| Taxa do cartão, crédito em 2 ou 3 parcelas (média do mercado) | 2,3% |
| Reserva para inadimplência | 2% |
| Margem de lucro | 20% |
| = Soma dos percentuais | 30,3% |
| Preço = R$ 1.580,00 ÷ (1 − 0,303) | R$ 2.266,86 |
| Preço arredondado | R$ 2.270,00 |
Números de exemplo fictício. Troque pelos seus.
Agora a prova, que eu recomendo fazer sempre. Dos R$ 2.270,00, saem R$ 136,20 de imposto (6%), R$ 52,21 de cartão (2,3%) e R$ 45,40 de reserva para inadimplência (2%). Tirando também o custo de R$ 1.580,00, sobram R$ 456,19: 20,1% do preço. A margem que a dona escolheu está lá.
E se ela tivesse feito do jeito errado, custo × 1,30? O preço seria R$ 2.054,00. Saem R$ 211,56 de imposto, cartão e inadimplência e R$ 1.580,00 de custo, e sobram R$ 262,44: 12,8% do preço. Ela acharia que ganha 30% e ganharia menos da metade disso. Num ano de trabalho, essa diferença é o que separa um negócio que cresce de um que só gira.
Duas conferências finais:
- Fator R. Se a dona vender as 100 horas do mês a esse preço (R$ 113,50 por hora), fatura cerca de R$ 11.350 por mês. O pró-labore de R$ 4.500 é 39,6% disso, acima dos 28% do fator R, o que mantém a atividade no Anexo III. Com receita de cerca de R$ 136 mil em 12 meses, ela continua na primeira faixa.
- Valor. Uma identidade visual vai estar em tudo o que o cliente fizer pelos próximos anos. Para um cliente que vai abrir uma loja, R$ 2.270 é pouco perto do que uma marca bem feita ajuda a vender. Esse é o espaço que o teto oferece.
Cobrar por hora, por projeto ou por pacote?
Use a hora para calcular e o projeto ou o pacote para vender. A hora é a sua unidade de custo, mas o cliente não compra horas; compra um resultado. Quando você vende por hora, cada ganho de eficiência vira desconto para o cliente. Quando vende o projeto, quem fica com a eficiência é você.
- Por hora: faz sentido quando o escopo é imprevisível (consultoria avulsa, suporte, manutenção). Combine um mínimo de horas.
- Por projeto: para escopo claro, como a identidade visual do exemplo. Escreva o que está incluído e o que é cobrado à parte.
- Por pacote ou recorrência: para serviço que se repete (gestão de redes, contabilidade, manutenção mensal). Dá previsibilidade de caixa para os dois lados.
E o preço do concorrente?
O preço do concorrente é a referência, não o ponto de partida. Copiar o preço da concorrência sem entender o contexto aparece entre os erros de precificação listados no Guia rápido de preço mínimo do Sebrae. Faça o seu piso primeiro e depois olhe o mercado:
- se o seu piso está muito acima do mercado, o problema está no custo ou nas horas vendáveis, e é lá que você mexe, não na margem;
- se o seu piso está muito abaixo, há espaço para subir, e o que define até onde é o valor que o cliente percebe.
"[…] o empresário precisa conhecer o custo do produto, da mercadoria, da industrialização ou do serviço. Depois, aplicar técnicas de formação de preço e comparar com o mercado. O cliente não paga preço, paga valor." — Márcia Maria de Mello, consultora do Sebrae Goiás, em oficina relatada pela Agência Sebrae (2026)
Quando e como reajustar o preço?
Reajuste pelo menos uma vez por ano e sempre que os seus custos mudarem. A referência mínima é a inflação: nos 12 meses até setembro de 2026, o IPCA subiu 4,58% (IBGE), e os preços de serviços subiram 5,97%, pela classificação do Banco Central. Se o seu preço ficou parado nesse período, ele ficou cerca de 5,6% mais barato em relação aos preços dos serviços, sem você perceber.
Na pesquisa Pulso dos Pequenos Negócios do Sebrae, de 2024, 74% dos donos tinham tido alta de custos nos 30 dias anteriores à pesquisa; desses, só 9% repassaram tudo para o preço, 38% repassaram uma parte e 51% não repassaram nada. Eu entendo o medo de perder cliente. Mas absorver todo aumento é escolher, mês a mês, uma margem menor, até ela acabar.
Como reajustar sem perder o cliente:
- Avise com antecedência, de 30 a 60 dias, e por escrito.
- Explique em uma frase o que mudou (custos, inflação, um serviço que melhorou), sem pedir desculpas.
- Comece pelos clientes novos e leve os antigos ao preço novo na renovação do contrato.
- Ofereça uma opção para quem não pode pagar mais: um escopo menor pelo mesmo valor.
Preço certo e caixa em dia andam juntos: um reajuste que não sai no mês certo aparece como aperto na projeção de caixa, como eu mostro no guia de fluxo de caixa.
Como lembra o professor Jordânio Silva Santos, em palestra na Semana do MEI do Sebrae Pará: "se você não coloca algo naquele preço, não pode cobrar depois. Não vai ter chance de recuperar isso no seu negócio" (Agência Sebrae).
Erros comuns na precificação de serviços
Os erros de cálculo do preço já apareceram nas seções acima. Estes aparecem depois que o preço está pronto:
- Fazer alteração fora do escopo sem cobrar. Toda mudança pedida depois do orçamento consome horas. Combine por escrito o que está incluído e quanto custa a hora adicional.
- Cobrar o deslocamento duas vezes, ou nenhuma. Se o deslocamento ficou fora das suas horas vendáveis, ele já está no custo da hora; cobre à parte só o que passar do normal. Se preferir cobrar sempre, conte essas horas como vendáveis na linha C.
- Não rever a alíquota quando a receita cresce. No Simples, a alíquota efetiva muda conforme a receita dos últimos 12 meses. Refaça a conta DAS ÷ receita a cada trimestre.
- Esquecer a revisão e o retrabalho. Se todo trabalho do tipo tem uma rodada de ajustes, ela faz parte das horas do serviço, não é favor.
- Aceitar mais parcelas sem refazer a conta. A taxa do cartão sobe com o parcelamento: na média do mercado, 1,95% à vista e 2,26% em 2 ou 3 parcelas. Se você aceitar mais parcelas que as da sua conta, confira a taxa no contrato da maquininha e refaça o divisor.
Modelo de cálculo para copiar
Copie a tabela numa planilha ou num caderno e troque pelos seus números. Ela não exige cadastro:
Modelo pronto para copiar
Preço de um serviço
| Linha | Como calcular | Seu número |
|---|---|---|
| A. Custos fixos do mês | Soma das contas fixas, com os anuais divididos por 12 | |
| B. Pró-labore | O quanto você tira por mês para viver | |
| C. Horas vendáveis no mês | Medidas durante duas semanas | |
| D. Custo da hora | (A + B) ÷ C | |
| E. Horas do serviço | Média dos últimos trabalhos parecidos | |
| F. Material do serviço | Licenças, insumos, deslocamento | |
| G. Custo do serviço | D × E + F | |
| H. Percentuais sobre a venda | Imposto + cartão + inadimplência + comissão | |
| I. Margem de lucro | Ponto de partida: 20% | |
| J. Preço (piso) | G ÷ (1 − H − I) | |
| K. Prova | J − (J × H) − G = lucro; lucro ÷ J deve ser igual a I |
Se preferir uma planilha pronta e gratuita, o Sebrae também oferece uma de preço de serviços; se você é do Simples, confira só se ela não está somando o ISS por fora. O Manual de Precificação de Serviços da Consylion, logo abaixo, traz a planilha de custo da hora, margem e reajuste, com um exemplo preenchido para trocar pelos seus números.
Exercício de 30 minutos
Você não precisa refazer todos os preços hoje. Comece pelo serviço que mais vende:
Mão na massa · 30 minutos
Seu primeiro preço calculado em 30 minutos
- Minutos 0 a 10: some os custos fixos do mês (olhe o extrato) e defina o seu pró-labore.
- Minutos 10 a 15: estime as suas horas vendáveis do mês e comece hoje a anotação de duas semanas para confirmar.
- Minutos 15 a 25: escolha o serviço que mais vende e calcule o preço no modelo acima, com imposto, cartão e margem.
- Minutos 25 a 30: compare com o preço que você cobra hoje e anote a diferença.
- Pronto quando: você sabe o piso do seu principal serviço e quanto está ganhando, ou deixando de ganhar, em cada venda.
Quando você enxerga o custo da própria hora, o preço deixa de ser um palpite que dá medo de mudar. Vira uma decisão que você consegue explicar ao cliente, e que mantém o negócio de pé para servir a ele por muito tempo.
Quem não sabe o custo da própria hora trabalha de graça sem perceber.
Padrão Consylion de aconselhamento
Como usar este conselho
- De onde vem
- A metodologia de formação de preço do Sebrae (markup sobre o custo, com impostos, taxas e margem), as regras do Simples Nacional e do MEI no texto da lei e da Receita Federal, as taxas médias de cartão do Banco Central e o método do Manual de Precificação de Serviços da Consylion. As 17 fontes estão listadas no fim do artigo.
- Quando se aplica
- Quem presta serviço sozinho ou com uma equipe de até 9 pessoas: consultoria, design, beleza, manutenção, saúde, educação e outros.
- MEI e empresas do Simples Nacional que querem um preço que cubra o custo da hora e deixe margem.
- Limites
- Não substitui o enquadramento tributário feito pelo contador: Anexo III, IV ou V e fator R dependem da atividade e da folha.
- O preço calculado é o piso. Serviços de alto valor percebido podem e devem ficar acima dele; nunca abaixo.
- As taxas de cartão citadas são médias de mercado; a sua está no contrato da maquininha.
- Fora do Simples Nacional, além do ISS entram outros tributos sobre a receita; o cálculo do imposto, nesse caso, é com o contador.
- Na prática
- Os extratos do último trimestre, uma semana de anotação das suas horas e uma planilha ou calculadora.
- Como medir o resultado
- Em cada serviço fechado: o lucro que sobrou bate com a margem que você colocou no preço?
- Em 90 dias: a sua agenda continua cheia e o caixa sobe mês a mês, sem precisar de crédito para pagar as contas.
- Quando revisar
- Mudarem os seus custos fixos, o seu pró-labore ou a faixa do Simples.
- Mudar o limite do MEI (o PLP 186/2026 está em análise no Senado) ou as regras do Simples.
- Pelo menos uma vez por ano, com a inflação de serviços do período.
- Começar a valer, para o seu regime, a reforma tributária do consumo (CBS e IBS).
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Próximo passo
Fluxo de caixa: o que é e como fazer na pequena empresa
Fluxo de caixa na pequena empresa: o que é, como fazer passo a passo, um exemplo completo em R$, a projeção de 3 meses e modelo para copiar sem cadastro.
Ler o próximo →Perguntas frequentes
- Qual é a margem de lucro ideal para serviços?
- Não existe um número único: depende do risco, da concorrência e do valor que você entrega. O Sebrae Minas usa como referência uma margem que geralmente gira em torno de 20%. Eu uso esse número como ponto de partida e subo quando o resultado do serviço vale muito para o cliente. O que não dá é ficar sem margem: sem ela, qualquer imprevisto vira prejuízo.
- MEI precisa colocar imposto no preço?
- O MEI não calcula imposto como percentual da venda. Ele paga um valor fixo por mês: em 2026, R$ 86,05 para quem presta serviço (R$ 81,05 de INSS e R$ 5 de ISS), segundo a Receita Federal. Esse valor entra no preço como custo fixo, dividido pelas suas horas vendáveis. Fique de olho no limite de faturamento, hoje de R$ 81 mil por ano.
- Devo repassar a taxa do cartão para o cliente?
- O jeito mais simples é incluir a taxa média no preço, para todos, como fizemos no exemplo. No primeiro trimestre de 2026, a média do mercado ficou em cerca de 2,1% no crédito e 1,1% no débito, pelos dados do Banco Central, mas a sua taxa está no contrato da maquininha. Confira também se o seu banco cobra tarifa para receber Pix na conta PJ.
- Como dar desconto sem ter prejuízo?
- Desconto sai da margem, nunca do custo. Antes de oferecer, faça a conta: com 20% de margem, um desconto de 10% leva quase metade do seu lucro (no exemplo do estúdio, o lucro do serviço cai de R$ 456 para R$ 253). Se você costuma negociar, deixe a folga embutida no preço e troque o desconto por algo de volta, como pagamento à vista, prazo maior ou um contrato mais longo.
- E se o cliente achar caro?
- Antes de baixar o preço, mostre o que está incluído e o resultado que o serviço entrega. Se ainda assim não couber, reduza o escopo, não a margem: ofereça uma versão menor pelo valor que o cliente pode pagar. Eu evito desconto sem troca: o risco é o cliente passar a esperar desconto e o preço baixo chegar a outros clientes por indicação.
- Quanto cobrar quando estou começando, sem portfólio?
- Nunca abaixo do piso. Sem portfólio, você pode cobrar perto do piso enquanto junta resultados, mas o custo da sua hora não muda porque você é novo. Cobrar abaixo do custo tira dinheiro de você a cada venda, justamente quando o caixa mais precisa dele, e eu acho difícil subir depois o preço de quem entrou barato.

Quem escreveu
Fundador da Consylion e criador do Protocolo Consylion™
Leu mais de 2.000 livros de negócios e reuniu nos manuais da Consylion os métodos que uma pequena empresa consegue aplicar, com exemplos e planilhas.
Como produzimos este conteúdo
A pauta parte das dúvidas reais de quem toca uma pequena empresa e dos métodos dos manuais Consylion. O texto é escrito com apoio de inteligência artificial e segue o padrão editorial da Consylion: cada número, regra e citação vem de uma fonte confiável (órgãos públicos, normas, leis e pesquisas com metodologia publicada), aberta e conferida, e está listada no fim do artigo; o que não pode ser verificado não entra. Os exemplos com números são ilustrativos e estão identificados como tal. Quando surgem dados melhores ou as regras mudam, o artigo é revisado. Última revisão em .
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Fontes citadas
- 01 Lei Complementar nº 123/2006 — Simples Nacional, Anexos III, IV e V e fator R (Planalto)
- 02 Câmara dos Deputados (normas.leg.br) — Lei Complementar nº 123/2006, texto compilado
- 03 Lei Complementar nº 116/2003 — ISS (Planalto)
- 04 Receita Federal — Valores do DAS-MEI em 2026 (02/01/2026)
- 05 gov.br — Teto do MEI
- 06 Câmara dos Deputados — Câmara aprova novo limite de enquadramento para o MEI (14/10/2026)
- 07 Banco Central — Dados abertos de meios de pagamento, taxas de desconto (MDR) do 1º trimestre de 2026
- 08 IBGE/SIDRA — IPCA, variação acumulada em 12 meses (setembro de 2026)
- 09 Banco Central — SGS 10844, IPCA Serviços
- 10 Agência Brasil — Trabalhadores por conta própria têm as maiores jornadas do país (PNAD Contínua, 14/05/2026)
- 11 Sebrae — Pulso dos Pequenos Negócios, 8ª edição (2024)
- 12 Sebrae Minas — Precificação de serviços: 7 etapas para chegar ao preço ideal (28/10/2025)
- 13 Sebrae RS — E-book Como formar preço de serviços (2023)
- 14 Sebrae — Planilha de preço de serviços
- 15 Sebrae — Guia rápido de preço mínimo (2026)
- 16 Agência Sebrae Goiás — A precificação como estratégia vital para os pequenos negócios (25/06/2026)
- 17 Agência Sebrae Pará — Orientações para o empreendedor precificar de maneira correta (28/05/2026)