Programa de indicação: como criar sem comer a margem
"Meus clientes gostam de mim, mas só um ou outro me indica." Ou a versão de quem já tentou: "Dei desconto para quem indicasse e quase não sobrou lucro." Nos dois casos, o diagnóstico costuma ser o mesmo, e não é falta de cliente que indicaria. Ninguém pediu, ninguém registrou e a recompensa foi inventada sem conta.
Um programa de indicação é uma ponte de mão dupla: o cliente satisfeito traz alguém, o indicado compra e os dois ganham algo combinado antes. A margem é o peso que essa ponte aguenta. Neste guia eu mostro como calcular esse peso, como montar o programa, como pedir e como medir. Ele faz parte das bases do marketing digital na pequena empresa, mas funciona também sem rede social.
O que é um programa de indicação e como funciona
Programa de indicação é uma regra escrita que diz quem pode indicar, o que conta como indicação e o que cada lado ganha quando o indicado compra. O cliente indica, você atende, e a recompensa sai depois do primeiro pagamento.
Ele se confunde com outros dois. No programa de fidelidade, o prêmio vai para quem compra de você de novo. No de afiliados, a pessoa recebe comissão pelas vendas que traz, como parceria contínua. Na indicação, o ganho vem de trazer um cliente novo, e o foco aqui é o cliente que você já tem. O guia de prospecção cuida do que acontece depois que o contato chega.
A razão de funcionar é a confiança. Na pesquisa online da Nielsen de 2021 (ficha dos Estados Unidos, adultos de 15 anos ou mais), as recomendações de pessoas conhecidas (89%) foram o canal de maior confiança. É dado americano e mede confiança, não vendas. Este guia não cita um percentual de vendas por indicação, porque o seu número você descobre anotando.
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Quanto posso pagar por indicação: a conta do teto de recompensa
Você pode pagar por cliente indicado uma parte da margem do primeiro pedido, nunca o preço. Margem de contribuição, nas palavras do Sebrae, é "o valor das Vendas menos o valor dos Custos Variáveis e das Despesas Variáveis", ou seja, o que sobra de cada venda para pagar as despesas fixas e gerar lucro. O mesmo material lista, entre as decisões que usam a margem, as campanhas promocionais de "descontos/brindes" e o impacto na quantidade de vendas necessária.
O critério que eu uso como regra de bolso: no máximo 30% da margem do primeiro pedido por cliente que comprar. Não é norma. É uma folga para sobrar margem para as despesas fixas e para o seu tempo.
Imagine um serviço de R$ 200 com custo variável de R$ 100 (material, comissão, taxa da maquininha). Os números são fictícios e redondos.
Exemplo com números
Serviço de R$ 200 · o teto por indicação
| Passo | Conta | Resultado |
|---|---|---|
| Margem do primeiro pedido | R$ 200 − R$ 100 | R$ 100 (50%) |
| Teto da recompensa | 30% de R$ 100 | R$ 30 |
| Desconto de 20% para os dois lados | R$ 160 − R$ 100 | R$ 60 de margem por venda |
| Perda do desconto | R$ 100 − R$ 60 | R$ 40 em cada uma das duas vendas |
| Recompensa de R$ 30 | 10 indicações × 40% que compram | 4 clientes × R$ 30 = R$ 120 |
| Margem desses 4 clientes | 4 × R$ 100 | R$ 400 |
| Sobra no primeiro pedido | R$ 400 − R$ 120 | R$ 280 |
Números de exemplo fictício. Troque pelos seus.
O desconto de 20% para os dois lados parece generoso e custa R$ 40 na venda do indicado e R$ 40 na próxima compra de quem indicou: R$ 80 contra os R$ 30 do teto. A taxa de 40% que compram é hipótese do exemplo, não estatística. E a recompra, que é onde o programa costuma se pagar, ficou de fora da conta.
Infográfico

Ler o infográfico em texto
Do preço à margem e ao teto de 30%, e por que o desconto de 20% passa dele
1 · A margem do primeiro pedido
R$ 200 − R$ 100 = R$ 100
- R$ 200: preço do serviço
- − R$ 100: custo variável da venda
- = R$ 100: margem do primeiro pedido (50%)
2 · O teto da recompensa
R$ 100 × 30% = R$ 30
- R$ 100: margem do primeiro pedido
- × 30%: regra de bolso da Consylion
- = R$ 30: teto por indicado que comprar
Teto × desconto de 20% para os dois lados
Desconto de 20% (Para quem indica e para o indicado)
- Margem por venda: R$ 60
- Perda em cada venda: R$ 40
- R$ 80: de perda nas duas vendas, contra R$ 30
Recompensa no teto (Combinada antes)
- Margem do pedido: R$ 100
- Recompensa: R$ 30
- R$ 30: por indicado que comprar
Recompensas, do menor ao maior custo
- Destaque: Reconhecimento: um agradecimento, um destaque.
- Brinde: Comece por aqui ou pelo crédito.
- Crédito: Só custa quando o cliente volta; conte pelo valor de face.
- Dinheiro: Traz regras que mudam o desenho.
Fonte: Margem de contribuição segundo o Sebrae; teto de 30% da margem do primeiro pedido, critério da Consylion. Exemplo fictício, com números redondos. O teto de 30% é regra de bolso, não norma.
Como criar o programa em 5 passos
Passo a passo
- Escolha quem pode indicar.
- Defina a recompensa dentro do teto.
- Escreva a regra em uma página.
- Monte o registro.
- Peça, com data marcada.
1. Escolha quem pode indicar. Cliente que já recebeu o serviço e ficou satisfeito, não qualquer pessoa. Pronto quando você tem a lista de 10 nomes. Armadilha: abrir para todos e receber contatos frios.
2. Defina a recompensa dentro do teto. Do menor para o maior custo: reconhecimento (um agradecimento, um destaque), brinde, crédito na próxima compra e dinheiro. Eu começaria por brinde ou crédito, porque o crédito só custa quando o cliente volta, e dinheiro traz regras que mudam o desenho. Para ser prudente, conte o crédito pelo valor de face. Pronto quando o valor total, do indicador mais o do indicado, cabe no teto. Armadilha: dar o prêmio antes de o indicado pagar.
3. Escreva a regra. Uma página, no modelo mais abaixo. Pronto quando alguém de fora entende sozinho. Armadilha: regra só na cabeça, que muda a cada caso.
4. Monte o registro. Uma planilha com uma linha por indicação. Pronto quando você sabe, a qualquer hora, quem indicou quem e o que falta pagar. Para evitar fraude e autoindicação, o registro tem a coluna de origem e a regra diz que a recompensa só sai depois do primeiro pagamento, e que indicar a si mesmo ou alguém da mesma casa não vale.
5. Peça. Programa que ninguém lembra não existe. Pronto quando você pediu a 10 clientes. Armadilha: esperar que o cliente se lembre sozinho.
Como pedir indicação: três roteiros
O melhor momento é quando o cliente está contente, e isso acontece em três ocasiões: quando ele elogia, quando você entrega o resultado e quando ele renova. Peça em uma frase, pelo canal que vocês já usam, e diga o que o outro ganha antes do que ele ganha.
- No elogio, presencial: "Que bom que gostou. Se você conhece alguém que também precisa disso, me avisa: quem vier por você ganha [brinde] e você ganha [crédito] quando ele fechar."
- Na entrega do resultado, por WhatsApp: "Ficou como combinamos, e fico feliz. Se alguém perto de você tiver o mesmo problema, posso atender com a condição do nosso programa. Quer que eu mande o regulamento?"
- Na renovação, por e-mail: "Obrigado por continuar com a gente. Se algum conhecido seu fizer sentido para o nosso trabalho, pergunte a ele se posso entrar em contato. Quem vier por indicação tem [brinde] na primeira vez."
O que eu não diria: "indica para mim?", sem dizer para quem e o que ganham, nem pedir a quem acabou de reclamar. Quem não está satisfeito não indica, e o pedido soa como cobrança.
Exemplo: o programa de um estúdio de estética em Londrina
O estúdio é fictício, tem 4 pessoas e vende uma limpeza de pele com hidratação por R$ 250. O custo variável (produtos, descartáveis, taxa da maquininha) é de R$ 100. A margem do primeiro pedido é de R$ 150 (60%) e o teto de 30% é de R$ 45. A dona escolheu um crédito de R$ 30 para quem indicou e um kit de amostras de R$ 10 para o indicado: R$ 40 no total, dentro do teto.
A regra dela: vale quando o indicado paga o primeiro atendimento; o crédito é usado em até 60 dias; teto de 5 recompensas por cliente por ano. A planilha registrou, em 90 dias:
Exemplo com números
Estúdio de estética · 90 dias, números fictícios
| Mês | Indicações | Compraram | Recompensas (× R$ 40) | Margem do primeiro pedido (× R$ 150) |
|---|---|---|---|---|
| 1 | 8 | 3 | R$ 120 | R$ 450 |
| 2 | 11 | 4 | R$ 160 | R$ 600 |
| 3 | 11 | 5 | R$ 200 | R$ 750 |
| Total | 30 | 12 | R$ 480 | R$ 1.800 |
Números de exemplo fictício. Troque pelos seus.
Do total: 12 ÷ 30 = 40% das indicações viraram compra; o custo por cliente indicado foi de R$ 480 ÷ 12 = R$ 40, o equivalente a 16% do ticket; e sobraram R$ 1.800 − R$ 480 = R$ 1.320 de margem, sem contar quem voltou. A dona decidiu manter.
Em outros ramos, a conta é a mesma. Numa oficina com revisão de R$ 600 e custo variável de R$ 360, a margem é de R$ 240 e o teto, R$ 72. Numa escola de idiomas com mensalidade de R$ 400 e custo variável de R$ 120, a margem do primeiro mês é de R$ 280 e o teto, R$ 84.
No caso da escola, o aluno costuma ficar vários meses, então o teto é conservador de propósito. Se o seu ramo tem conselho de classe, confirme antes as regras dele sobre indicação e publicidade.
Modelo pronto: regulamento e planilha de registro
Copie, troque os colchetes e imprima ou mande por WhatsApp. Sem cadastro.
Modelo pronto para copiar
Regulamento do programa de indicação, uma página
- Quem pode indicar: clientes de [nome da empresa] com pelo menos um atendimento pago.
- O que vale como indicação: pessoa nova, que nunca comprou aqui, que diz o nome de quem indicou e paga o primeiro atendimento.
- Recompensa: [indicador: crédito de R$ __ ] e [indicado: brinde de R$ __ ]. O total fica abaixo de 30% da margem do primeiro pedido.
- Quando é liberada: depois do pagamento do primeiro atendimento do indicado. O crédito vale por [60] dias.
- Teto: até [5] recompensas por cliente por [ano].
- O que não vale: indicar a si mesmo, alguém da mesma casa ou da mesma empresa, e cliente que já comprou.
- Dado do indicado: o indicador só passa o contato de quem concordou em recebê-lo. Usamos o contato apenas para falar do atendimento e não o repassamos.
- Mudanças: podemos mudar ou encerrar o programa; o que já foi liberado fica valendo.
Modelo pronto para copiar
Planilha de registro
| Data | Indicador | Indicado | Origem | Status | Compra (R$) | Recompensa paga (R$) |
|---|---|---|---|---|---|---|
| 05/11 | Ana | Paula | Comprou | 250 | 40 | |
| 09/11 | Ana | Carlos | Presencial | Aguardando | ||
| 12/11 | Bruno | Marta | Não comprou |
Eu começaria pela planilha e só pensaria em sistema quando o volume de indicações apertasse o seu tempo.
Sobre o contato do indicado: nome e telefone de uma pessoa identificável são dado pessoal, e guardá-los é tratamento, dois conceitos definidos no art. 5º da LGPD.
O art. 7º só permite o tratamento nas hipóteses que lista, entre elas o consentimento, que o art. 5º, XII define como manifestação "livre, informada e inequívoca" do titular. Ele traz outras hipóteses, como o legítimo interesse, que exige ponderar os direitos do titular.
Na prática, o critério que eu uso é pedir ao indicador que pergunte antes ao amigo. O guia de LGPD para pequenas empresas detalha o resto.
Como medir e quando decidir
Quatro números por mês bastam: indicações recebidas, quantas viraram compra, custo por cliente novo e quantos desses voltaram. O custo por cliente indicado é a recompensa total dividida pelos clientes que compraram, e deve ficar abaixo do teto.
Decida em 90 dias, com a regra escrita antes:
- Manter se o custo por cliente fica dentro do teto e vieram clientes suficientes para valer a sua hora mensal.
- Ajustar se chegam indicações, mas poucas compram: o problema está na oferta ao indicado ou na conversa depois do contato.
- Parar se, pedindo a 10 clientes por mês, ninguém indicou. Aí a hora vale mais em outra ação, como o Perfil da Empresa no Google ou o SEO local. Para ver o efeito de qualquer desconto na margem, use a calculadora de desconto.
O erro mais comum
Recompensa sem conta e pedido sem registro. O dono dá 20% de desconto porque viu uma marca grande fazer isso, não anota quem indicou quem, e três meses depois não sabe se valeu a pena. Sem a conta, a ponte carrega mais peso do que aguenta, e você só descobre quando o lucro some.
Exercício de 15 minutos
Mão na massa · 30 minutos
Seu teto e seus 10 nomes
- Minutos 0 a 5: escreva o preço do seu serviço mais vendido e o custo variável de cada venda. Calcule a margem e 30% dela: esse é o seu teto.
- Minutos 5 a 10: escolha a recompensa que cabe no teto e escreva a frase de pedido do roteiro que combina com o seu negócio.
- Minutos 10 a 15: liste 10 clientes satisfeitos a quem você vai pedir esta semana.
- Pronto quando: você tem o teto em reais, a frase escrita e 10 nomes na lista.
O cliente satisfeito já indica quando lembra. O programa é só uma regra que faz lembrar e que o seu caixa aguenta. Se quiser medir o resto do marketing local, o pilar de marketing digital é o próximo passo.
Indicação não é desconto. É uma parte da margem que você decidiu pagar.
Padrão Consylion de aconselhamento
Como usar este conselho
- De onde vem
- A fórmula da margem de contribuição vem de material do Sebrae; as definições de dado pessoal, tratamento e consentimento vêm da LGPD (Lei 13.709/2018) e a regra sobre prêmios como propaganda vem da Lei 5.768/1971. A ordem do programa e o teto de 30% da margem são critério meu, e os números do exemplo são ilustrativos. As 4 fontes estão listadas no fim do artigo.
- Quando se aplica
- Comércio ou serviço local de 1 a 9 pessoas, com clientes satisfeitos e possibilidade de indicação ou recompra.
- Dono que quer mais clientes sem aumentar o gasto com anúncio e conhece (ou vai calcular) a margem do que vende.
- Limites
- Não prometo quantas indicações vão vir: depende do seu serviço, da relação com o cliente e do quanto você pede.
- Não vale para quem não conhece a própria margem: calcule antes de oferecer qualquer recompensa.
- Sorteio e prêmio em dinheiro têm regras próprias; confirme com contador ou advogado antes de usar.
- Ramos com conselho de classe (saúde, direito, finanças) têm regras de captação e publicidade; confirme com o conselho antes de oferecer recompensa por indicação.
- Na prática
- Uma planilha, o preço e o custo do que você vende, o WhatsApp e cerca de 2 horas na primeira semana e 1 hora por mês depois.
- Como medir o resultado
- Por mês: indicações recebidas, quantas viraram compra e o custo da recompensa por cliente novo.
- Em 90 dias: manter, ajustar ou parar, pelo critério do fim do guia.
- Quando revisar
- A LGPD ou a regra sobre prêmios como propaganda mudarem.
- O custo ou a margem do que você vende mudarem, o que muda o teto.
- Você mudar a recompensa ou o público que pode indicar.
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Próximo passo
Prospecção de clientes: como fazer, com exemplo e modelo
Prospecção de clientes é procurar quem tem o problema que você resolve. Veja o que é, o passo a passo, a conta do funil e mensagens prontas para copiar.
Ler o próximo →Perguntas frequentes
- Posso sortear um prêmio entre quem indicar?
- A Lei 5.768/1971 diz que a distribuição gratuita de prêmios a título de propaganda depende de prévia autorização do Ministério da Fazenda, e proíbe a distribuição ou conversão dos prêmios em dinheiro (art. 1º, caput e § 3º). Por isso este guia trata de recompensa combinada para quem indicou, e não de sorteio. Se quiser sortear, confirme as regras com seu contador ou advogado antes de anunciar.
- Em quanto tempo sei se o programa deu certo?
- O critério que eu uso é 90 dias, com a regra escrita antes de começar. Em negócio de compra rápida, três meses já mostram o padrão. Se o seu cliente demora mais para comprar, como em uma reforma, estenda o prazo, mas decida o número antes: quantos clientes novos e que custo por cliente fazem você manter o programa.
- E o programa de indicação de funcionários?
- É outro assunto, ligado a recrutamento, com outro público e outra recompensa. Este guia trata da indicação de clientes. A conta do teto vale para qualquer recompensa, mas o regulamento, o registro e o cuidado com o dado do indicado precisam ser pensados para quem está sendo indicado.
Quem escreveu
Fundador da Consylion e criador do Protocolo Consylion™
Li mais de 2.000 livros de negócios e reuni nos manuais da Consylion os métodos que uma pequena empresa consegue aplicar. Aqui, escrevo o passo a passo para você usar no seu negócio, com exemplos e a fonte de cada número.
Como produzimos este conteúdo
A pauta parte das dúvidas reais de quem toca uma pequena empresa e dos métodos dos manuais Consylion. O texto é escrito com apoio de inteligência artificial e segue o padrão editorial da Consylion: cada número, regra e citação vem de uma fonte confiável (órgãos públicos, normas, leis e pesquisas com metodologia publicada), aberta e conferida, e está listada no fim do artigo; o que não pode ser verificado não entra. Os exemplos com números são ilustrativos e estão identificados como tal. Quando surgem dados melhores ou as regras mudam, o artigo é revisado. Última revisão em . Leia a política editorial completa.
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Fontes citadas
- 01 Sebrae — Margem de contribuição: quanto sobra para sua empresa? (série Saiba Mais)
- 02 Câmara dos Deputados — Lei nº 13.709/2018 (LGPD), texto consolidado, arts. 5º e 7º
- 03 Câmara dos Deputados — Lei nº 5.768/1971, texto consolidado, art. 1º
- 04 Nielsen — 2021 Trust in Advertising Study, U.S. sell sheet
