ConsylionEntrar

Renda e Patrimônio· Finanças Pessoais

Planilha de controle financeiro: modelo e exemplo em R$

"Eu ganho o suficiente, mas no dia 20 já não sei para onde foi." Se você já disse isso, a planilha de controle financeiro que vem a seguir foi feita para você, e dá para copiá-la daqui, sem cadastro.

O retrato do país não é diferente. Na Peic de setembro de 2026, pesquisa da CNC feita nas capitais e no Distrito Federal com base no que as pessoas declaram, 81,7% das famílias disseram ter dívidas a vencer e 29,6% disseram ter contas em atraso. A própria CNC avisa que a percepção de endividamento é subjetiva e não configura, necessariamente, superendividamento.

O Banco Central diz no Caderno de Educação Financeira que grande parte da população não sabe para onde vai o seu dinheiro. O instinto de quem abandona a planilha é achar que faltou disciplina e procurar um modelo mais bonito. O problema costuma ser outro: modelo com 30 categorias e nenhuma pergunta no fim. Eu penso na planilha como um extrato que você mesmo escreve, para ver o mês antes de ele acabar.

Planilha de controle financeiro pessoal: o modelo para copiar

A planilha tem quatro blocos: renda do mês, gastos fixos, gastos variáveis e a sobra. Monte duas abas, em Excel ou Google Planilhas, em cerca de 10 minutos. Para imprimir, a mesma tabela serve no papel.

Modelo pronto para copiar

Planilha de controle financeiro pessoal

Aba 1, Lançamentos (uma linha por movimento; as quatro linhas são só um exemplo)

A. Data B. Bloco C. Categoria D. Valor (R$) E. Forma de pagamento
05/11 Renda Salário 4.000 Depósito
05/11 Fixo Moradia 1.300 Pix
07/11 Variável Mercado 180 Débito
12/11 Variável Lazer e delivery 64 Crédito

Aba 2, Resumo do mês (os resultados ficam nas células B1 a B5 desta aba; a coluna A leva o nome de cada linha)

Linha O que mostra Fórmula
1 Renda do mês =SOMASE(Lançamentos!B:B;"Renda";Lançamentos!D:D)
2 Gastos fixos =SOMASE(Lançamentos!B:B;"Fixo";Lançamentos!D:D)
3 Gastos variáveis =SOMASE(Lançamentos!B:B;"Variável";Lançamentos!D:D)
4 Sobra do mês =B1-B2-B3
5 Sobra em % da renda =B4/B1

Na coluna B, só três palavras: Renda, Fixo e Variável. A coluna C é a categoria: de 6 a 10 no total, como moradia, mercado, transporte, saúde, lazer e assinaturas. Esse número é critério meu, para criar o hábito; o Caderno do Banco Central deixa o agrupamento livre ("você pode utilizar outras formas de agrupamento que sejam mais adequadas à sua realidade") e dá como exemplos alimentação, habitação, transporte e lazer. A coluna E separa dinheiro, débito e crédito, como o Caderno pede.

Consylion Insights · a carta das 7h10

Uma ideia por dia para aplicar no negócio e na vida. E 5 guias grátis para começar.

Ao se inscrever, você recebe a carta diária, o acesso aos 5 guias e o contato da Consylion por e-mail e WhatsApp. Para sair, basta um clique. Política de privacidade.

Como usar a planilha em 30 dias

O Caderno sugere um método em quatro etapas: planejamento, registro, agrupamento e avaliação. A planilha segue a mesma ordem. Defina a renda e as categorias, lance os gastos, agrupe nos blocos e olhe a sobra. O Caderno também começa o orçamento pelo registro de tudo o que se ganha e se gasta em um período, em geral um mês ou um ano. Para o contexto maior, veja o guia de gestão financeira.

Renda e gastos fixos

Lance a renda líquida, o que cai na conta depois dos descontos. O Caderno chama de fixas as despesas que não variam ou variam muito pouco, como o aluguel. Esses valores você lança uma vez no começo do mês.

Se a renda varia (comissão, aulas, trabalho por conta), o Caderno a chama de receita variável. A regra que eu uso: lance a média dos últimos 3 meses, não o melhor mês. É critério da Consylion, para não gastar um dinheiro que ainda não chegou.

Gastos variáveis e cartão

Aqui moram os gastos que mudam: mercado, transporte, lazer. O Caderno recomenda anotar, de preferência, todo dia, e conferir extratos e faturas. Eu proponho uma rotina mais leve: 10 minutos por semana, no mesmo dia, com o extrato ao lado. Frequência semanal é minha escolha; se você consegue anotar no dia, melhor.

A parcela do cartão entra no mês em que vence, na forma de pagamento "Crédito". Esse também é critério meu: uma compra de R$ 300 em 3 vezes pesa R$ 100 em cada fatura, e é na fatura que o dinheiro sai.

A sobra do mês

Sobra é renda menos gastos fixos e variáveis. O Caderno chama o resultado de superávit quando as despesas ficam abaixo das receitas, e diz que a meta básica é manter o orçamento superavitário. Também recomenda o "pague-se primeiro": separar o dinheiro da reserva assim que receber, porque esperar para poupar só no fim do mês é pouco efetivo.

Exemplo preenchido: um mês de R$ 4.000

Imagine uma pessoa fictícia, com números redondos, que recebe R$ 4.000 líquidos por mês. A tabela mostra os gastos de um mês e as duas leituras possíveis: fixo ou variável, e necessidade ou desejo.

Exemplo com números

Pessoa fictícia · um mês, renda líquida de R$ 4.000

Categoria Tipo Grupo Valor
Moradia Fixo Necessidade R$ 1.300
Mercado Variável Necessidade R$ 650
Transporte Variável Necessidade R$ 350
Saúde Variável Necessidade R$ 150
= Necessidades R$ 2.450
Lazer e delivery Variável Desejo R$ 450
Assinaturas Fixo Desejo R$ 80
Roupas Variável Desejo R$ 220
= Desejos R$ 750
Gastos fixos (1.300 + 80) R$ 1.380
Gastos variáveis (650 + 350 + 150 + 450 + 220) R$ 1.820
Sobra do mês (4.000 − 1.380 − 1.820) R$ 800

Números de exemplo fictício. Troque pelos seus.

A prova fecha pelos dois caminhos: 1.380 + 1.820 = 3.200 e 2.450 + 750 = 3.200. A sobra é 4.000 − 3.200 = R$ 800, ou 20% da renda. As necessidades pesam 2.450 ÷ 4.000 = 61,25% e os desejos 750 ÷ 4.000 = 18,75%. A soma das três partes (61,25% + 18,75% + 20%) dá 100%.

Infográfico

Infográfico de um mês fictício de R$ 4.000: sobra de R$ 800 (20%) depois de R$ 1.380 fixos e R$ 1.820 variáveis, e necessidades de 61,25% e desejos de 18,75% comparados à regra de bolso 50, 30 e 20.
Para onde foram os R$ 4.000 do mêsBaixar o infográfico
Ler o infográfico em texto

A conta da sobra e a distância para a regra de bolso 50 30 20

A sobra do mês

R$ 4.000 − R$ 1.380 − R$ 1.820 = R$ 800

  • R$ 4.000: renda líquida
  • − R$ 1.380: gastos fixos (1.300 + 80)
  • − R$ 1.820: gastos variáveis
  • = R$ 800: sobra do mês: 20% da renda

Pelo outro caminho: necessidades de R$ 2.450 mais desejos de R$ 750 dão os mesmos R$ 3.200 de gastos.

A regra de bolso × o mês real

Regra de bolso (50% · 30% · 20% da renda)

  • Necessidades (50%): R$ 2.000
  • Desejos (30%): R$ 1.200
  • Poupança (20%): R$ 800
  • Ponto de partida: uma regra de bolso, não uma norma

O mês real (Exemplo fictício de R$ 4.000)

  • Necessidades (61,25%): R$ 2.450
  • Desejos (18,75%): R$ 750
  • Sobra (20%): R$ 800
  • + R$ 450: nas necessidades; o resto cabe na regra

Fonte: Cálculo do exemplo do artigo; divisão em necessidades, desejos e poupança de Elizabeth Warren e Amelia Warren Tyagi, All Your Worth (2005); a versão 50 30 20 circula como regra de bolso, não como norma. Exemplo fictício, com números redondos. Troque pelos seus.

Agora o mesmo mês com renda variável. Se nos últimos três meses a pessoa recebeu R$ 3.600, R$ 3.900 e R$ 4.200, a média é R$ 3.900. Com os mesmos gastos de R$ 3.200, a sobra é R$ 700, cerca de 17,9% da renda. O número muda, e a decisão sobre quanto separar muda junto.

O que a sobra de R$ 800 diz: há folga para separar um valor. O que ela não diz: se esse valor está bem dividido entre reserva e outras metas, nem se o mês seguinte repete este. Por isso eu começaria separando uma parte da sobra, não toda, e só depois de três meses fecharia a meta. Também não prometo quanto isso vira com o tempo.

Regra 50 30 20: como aplicar quando o mês não fecha

A divisão da renda em três partes, necessidades, desejos e poupança, vem do livro All Your Worth, de Elizabeth Warren e Amelia Warren Tyagi (2005). A versão 50/30/20 (50% para necessidades, 30% para desejos e 20% para poupança) circula como regra de bolso; o Caderno do Banco Central não a fixa nem estabelece percentual por categoria, e a meta ali é o superávit. Trate a regra como ponto de partida, não como norma.

Sobre R$ 4.000, ela daria R$ 2.000 para necessidades, R$ 1.200 para desejos e R$ 800 para a poupança. No exemplo, a sobra de 20% já bate, os desejos estão abaixo (R$ 750) e as necessidades passam em R$ 450 (2.450 − 2.000), porque a moradia sozinha leva R$ 1.300 da renda.

O que eu faria nesse caso, como critério da Consylion:

  1. Não corte a sobra para zero só para fechar a regra. A sobra é o que protege o mês seguinte.
  2. Escolha uma necessidade e renegocie, por exemplo o plano de saúde, o transporte ou o mercado, em etapas. Reduzir R$ 450 em três etapas de R$ 150 é mais realista do que de uma vez.
  3. Reavalie a cada três meses, com a média na mão.

Em casal ou em família, o Caderno diz que o método vale também para o orçamento familiar. Eu usaria uma planilha só, com a renda somada, e 15 minutos por mês para os dois olharem a sobra juntos.

Caderno, celular ou planilha: qual manter

O Caderno do Banco Central diz que existem ferramentas desde um pedaço de papel e um lápis até planilhas, programas e aplicativos, e que você deve usar a que o deixa mais confortável. Concordo, com um critério: qual você abre toda semana.

  • Caderno: bom para lançar no dia; a soma e a comparação com a renda dão mais trabalho.
  • Planilha: soma sozinha e mostra a sobra; pede que você sente e lance.
  • Celular: é o que você tem à mão; vale se o aplicativo ou a planilha abrirem em dois toques.

Não indico aplicativo nem banco. Comece por um mês na ferramenta mais simples e troque só se ela atrapalhar.

Erros comuns que fazem a planilha morrer na terceira semana

  • Categorias demais. Com 30 linhas, lançar vira tarefa. Fique entre 6 e 10.
  • Deixar o cartão para o fim. A fatura chega inteira e o mês já passou. Lance a parcela no mês em que vence.
  • Misturar a conta da empresa. A planilha pessoal perde o sentido se o aluguel da loja entra nela.
  • Não ter meta para a sobra. Sem destino, o que sobra some. Separe primeiro.
  • Não fechar o mês. Sem calcular a sobra, a planilha é só um arquivo. Feche no último dia e compare com a renda.

Planilha pessoal ou empresarial: quando separar as duas

A planilha pessoal olha a renda e os gastos da casa. A empresa precisa de outro controle, que mostra quando o dinheiro entra e sai do negócio: o fluxo de caixa. Se você é dono ou dona e mistura as duas contas, defina um pró-labore fixo, o valor que você tira por mês para viver, e lance só esse valor como renda na planilha pessoal. O resto é dinheiro da empresa.

Exercício de 30 minutos: monte a sua e feche o primeiro mês

Mão na massa · 30 minutos

Seu primeiro mês fechado em 30 minutos

  • Minutos 0 a 10: copie o modelo em uma planilha ou numa folha e escolha de 6 a 10 categorias.
  • Minutos 10 a 25: lance o extrato e a fatura do mês passado, marcando cada linha como Renda, Fixo ou Variável.
  • Minutos 25 a 30: calcule a sobra (renda menos fixos menos variáveis) e o percentual sobre a renda.
  • Pronto quando: você sabe quanto sobrou no mês passado e em qual categoria foi o maior gasto variável.

Com a sobra na mão, você troca a pergunta "para onde foi?" por "quanto eu separo no dia em que o dinheiro cai?". Essa troca já muda o mês.

Para levar
Planilha boa tem poucas linhas e um número final: a sobra do mês.

Padrão Consylion de aconselhamento

Como usar este conselho

De onde vem
O Caderno de Educação Financeira do Banco Central (registro, agrupamento, avaliação e meta de superávit), a Peic da CNC (setembro de 2026) para o retrato do endividamento, a divisão da renda em necessidades, desejos e poupança de Warren e Tyagi (All Your Worth, 2005), com a versão 50 30 20 tratada como regra de bolso, e o método do Manual de Finanças do Dono da Consylion. As 4 fontes estão listadas no fim do artigo.
Quando se aplica
  • Pessoa ou família com renda mensal conhecida que quer saber para onde o dinheiro vai e quanto dá para separar.
  • Dono ou dona de pequeno negócio que ainda mistura a conta pessoal com a da empresa e precisa enxergar a parte da casa.
Limites
  • É educação financeira: não recomendo investimento, banco, aplicativo nem produto de crédito, e não prometo quanto você vai juntar.
  • Poucas categorias, lançamento semanal, média de três meses para a renda variável e a conduta quando as necessidades passam de 50% são critérios meus, não normas. A regra 50 30 20 é uma referência, não uma lei.
  • Se há dívida em atraso que você não consegue pagar, a planilha mostra o tamanho do problema, mas a negociação pede orientação especializada, como um educador financeiro ou um órgão de defesa do consumidor.
  • Os números do exemplo são fictícios e redondos; troque pelos seus.
Na prática
Uma planilha em branco (Excel ou Google Planilhas), caderno ou papel, o extrato e a fatura do mês passado e 30 minutos.
Como medir o resultado
  • Em 30 dias: um mês fechado, com a sobra calculada e a diferença para a renda explicada.
  • Em 90 dias: três meses comparados e uma meta de sobra definida (critério da Consylion).
Quando revisar
  • A fonte da regra 50 30 20 ou o Caderno de Educação Financeira do Banco Central forem atualizados.
  • Saírem novas edições da Peic, com dados diferentes dos de setembro de 2026.
  • O Manual de Finanças do Dono mudar a estrutura da planilha.

Última revisão em .

Faça a conta

Calculadoras para aplicar no seu caso

Ver todos os manuais de renda e patrimônio na loja →

Próximo passo

Fluxo de caixa: o que é e como fazer na pequena empresa

Fluxo de caixa na pequena empresa: o que é, como fazer passo a passo, um exemplo completo em R$, a projeção de 3 meses e modelo para copiar sem cadastro.

Ler o próximo →

Perguntas frequentes

Dá para usar a planilha no celular?
Dá. O Google Planilhas funciona no navegador e no aplicativo do celular, e o Excel tem versão para celular. O modelo é uma tabela simples de lançamentos, por isso cabe numa tela pequena. O critério é o mesmo: use o formato que você abre toda semana. Se o celular o distrai, imprima a tabela e preencha à mão.
E se a sobra do mês der negativa?
Sobra negativa é o que o Banco Central chama de orçamento deficitário: as despesas superaram as receitas. A planilha serve justamente para ver isso. Comece pelos gastos variáveis, que você controla mais rápido, e pela parcela do cartão que vem no mês seguinte. Se o déficit se repete e vira dívida em atraso, procure orientação especializada.
Quantos meses de planilha para ver um padrão?
Eu olho três meses. Um mês isolado pode ter um gasto fora do normal, como um conserto ou uma festa. Com três meses você vê o que se repete, calcula a média da renda variável e define uma meta de sobra com mais segurança. É um critério de partida meu, que você ajusta ao seu caso.
Edson Oliveira

Quem escreveu

Edson Oliveira

Fundador da Consylion e criador do Protocolo Consylion™

Li mais de 2.000 livros de negócios e reuni nos manuais da Consylion os métodos que uma pequena empresa consegue aplicar. Aqui, escrevo o passo a passo para você usar no seu negócio, com exemplos e a fonte de cada número.

Como produzimos este conteúdo

A pauta parte das dúvidas reais de quem toca uma pequena empresa e dos métodos dos manuais Consylion. O texto é escrito com apoio de inteligência artificial e segue o padrão editorial da Consylion: cada número, regra e citação vem de uma fonte confiável (órgãos públicos, normas, leis e pesquisas com metodologia publicada), aberta e conferida, e está listada no fim do artigo; o que não pode ser verificado não entra. Os exemplos com números são ilustrativos e estão identificados como tal. Quando surgem dados melhores ou as regras mudam, o artigo é revisado. Última revisão em . Leia a política editorial completa.

Compartilhe com quem precisa

WhatsAppLinkedIn

Continue lendo

Próximos artigos para você

Fontes citadas

  1. 01 Banco Central do Brasil — Caderno de Educação Financeira: Conteúdo Básico (2026), Módulo 2, Orçamento
  2. 02 CNC — Peic, Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor, setembro de 2026
  3. 03 Portal do Comércio — Peic setembro de 2026 (página da edição)
  4. 04 Google Livros — All Your Worth: The Ultimate Lifetime Money Plan, de Elizabeth Warren e Amelia Warren Tyagi (2005)