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Operação e Produto

Gestão de projetos na pequena empresa, com modelo

"Combinei dez semanas, estamos na quarta, e não sei se vou abrir no dia." Se você já falou isso de uma reforma, de um lançamento ou da troca de um sistema, a gestão de projetos é o que você procura. E quero corrigir o diagnóstico logo de saída. O instinto diz que o projeto atrasa porque a equipe é lenta. Quase sempre o problema é outro: ninguém escreveu o que é "pronto" e quem decide quando o combinado muda.

Você se reconhece?

  • A obra que não acaba Cada "já que estamos aqui" soma um dia e um custo, e ninguém lembra do que foi combinado no começo.
  • O sistema novo no meio da bagunça Você comprou o sistema, mas ninguém sabe quem cadastra os produtos, até quando e quem decide o que migra.
  • O lançamento sem data de fim O produto novo "está quase pronto" há dois meses, porque nunca ficou escrito o que pronto quer dizer.

Neste guia eu mostro como tocar um projeto numa empresa de 1 a 9 pessoas, sem curso e sem jargão. Uso a imagem de uma obra: sem planta, cada "já que estamos aqui" vira custo. A planta, no projeto, é a lista de entregas; a licença para alterar a planta é o pedido de mudança. O exemplo é de uma padaria fictícia, com números redondos. Troque pelos seus conforme lê.

O que é gestão de projetos?

Gestão de projetos é organizar um trabalho que tem começo, fim e entrega definidos, para que ele termine no prazo e no custo combinados. O trabalho em questão é o projeto, e a definição vem do PMI (Project Management Institute), reproduzida pela Enap: "Projeto é um esforço temporário empreendido para criar um produto, serviço ou resultado único. A natureza temporária dos projetos indica que eles têm um início e um término definidos".

A diferença para a rotina está nessa frase. Rotina se repete: atender o balcão, fechar o caixa, pagar o fornecedor. Projeto acontece uma vez e acaba: abrir a segunda unidade, lançar uma linha de produtos, implantar um sistema. Se o trabalho não tem fim nem entrega definida, ele ainda não é um projeto. Primeiro vem escrever o fim, e o guia mostra como.

Gestão de projetos não depende do porte. A norma ISO 21502:2020, que orienta a gestão de projetos, diz no resumo oficial que vale "independentemente de propósito, abordagens de entrega, modelo de ciclo de vida, complexidade, tamanho, custo ou duração" (tradução minha). O que muda de uma empresa grande para a sua é a quantidade de papel, e é aí que entra o critério da seção sobre método.

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Por que gestão de projetos importa na pequena empresa

Importa porque, na empresa pequena, o projeto compete com o dia a dia e quem toca os dois é você. Não há gerente de projetos separado: o dono é patrocinador (quem autoriza e paga) e gerente (quem acompanha) ao mesmo tempo. Sem método, o projeto perde para a urgência da semana.

Pequena empresa tem pouca margem para um projeto que estoura o orçamento ou atrasa a abertura, porque o dinheiro e o tempo que sobram são poucos.

Segundo a pesquisa Sobrevivência de Empresas, do Sebrae (2023), 62% dos pequenos negócios abertos a partir de 2017 seguiam ativos aos cinco anos; pela minha conta inversa (100 − 62 = 38), quase 4 em cada 10 não chegaram lá. O dado não diz por que fecham, e não o uso para afirmar que projeto bem gerido salva negócio. É por isso que escrever o combinado importa mais aqui do que numa empresa com folga.

Antes de começar: o que decidir

Antes de qualquer documento, decida quatro coisas e escreva cada uma numa linha. Sem elas, o termo de abertura fica vago e o projeto nasce discutível.

Checklist

  • Objetivo em uma frase. O que existe no fim que não existe hoje (por exemplo, "uma segunda padaria vendendo").
  • Prazo final. Uma data, ou um número de semanas contadas de um dia de início.
  • Teto de custo. O máximo que você aceita gastar, incluindo uma reserva para o imprevisto.
  • Quem decide. O nome de quem aprova mudança de escopo, custo e prazo. Na sua empresa, geralmente é você. Se há sócio, combine antes quem tem a palavra final.

Reserve também um horário fixo, de 20 minutos por semana, para olhar o projeto. Projeto que só é visto quando dá problema só mostra problema.

Como fazer gestão de projetos? Passo a passo

Gestão de projetos tem cinco fases, e a lista vem do Guia PMBOK 6ª edição, reproduzido pela Enap: o gerenciamento de projetos aplica 49 processos agrupados em cinco grupos, que são iniciação, planejamento, execução, monitoramento e controle, e encerramento. Eu não vou pedir que você aplique os 49 processos. A simplificação a seguir, em seis passos, é do método da Consylion: três documentos e uma planilha.

Passo a passo

  1. Abra o projeto com o termo de abertura (iniciação).
  2. Quebre o escopo na EAP (planejamento).
  3. Estime prazo e custo, com margem (planejamento).
  4. Acompanhe toda semana (execução e monitoramento).
  5. Controle as mudanças por escrito (monitoramento e controle).
  6. Encerre e registre as lições (encerramento).

1. Abra com o termo de abertura

O termo de abertura é o documento de uma página que autoriza o projeto. No PMBOK, segundo a apostila da Enap, ele é emitido pelo patrocinador, "autoriza formalmente a existência do projeto" e dá ao gerente a autoridade para usar os recursos. Que você é patrocinador e gerente ao mesmo tempo é uma adaptação minha, não está na fonte.

Escreva: objetivo, entrega, o que fica de fora, prazo, teto de custo, quem decide e os maiores riscos. A linha mais importante é a do que fica de fora. Quem escreve "não inclui reforma da calçada" evita a discussão que viria na semana 6.

Pronto quando: outra pessoa leria a página e saberia dizer o que o projeto entrega e o que não entrega. Armadilha: escrever só o que entra. O limite está no que sai.

2. Quebre o escopo na estrutura analítica do projeto (EAP)

A estrutura analítica do projeto, a EAP, é, no método que uso, uma lista numerada que quebra o projeto em entregas cada vez menores, até pedaços que uma pessoa consegue fazer e conferir. Não encontrei definição oficial aberta da EAP, por isso apresento como método da Consylion, não como norma.

Faça em três regras: cada item é uma entrega (algo que existe pronto), não uma atividade; cada item tem um responsável e um custo; e a soma das partes é o projeto inteiro, sem sobra. Para a empresa pequena, vá até 15 entregas. Se passou disso, o projeto é grande demais para uma lista só: divida em dois.

Pronto quando: cada entrega tem número, responsável e critério de pronto ("licença protocolada", "forno instalado e testado"). Armadilha: listar verbos ("pesquisar fornecedor") em vez de entregas ("fornecedor escolhido").

3. Estime prazo e custo, com margem

Estime cada entrega separadamente e some. Para o custo, peça orçamento por entrega (dois, quando houver fornecedor externo). Para o prazo, use semanas por entrega e marque quais dependem de outras: a instalação do forno só começa depois da reforma elétrica.

A margem é o ponto que costuma ficar de fora. O critério que eu uso: uma reserva de custo de 10% do teto e uma semana de folga no fim do cronograma. Não é norma. Reserva é o dinheiro que você já aceitou gastar com o imprevisto, e folga é o tempo que você já separou para ele. Sem os dois, o primeiro imprevisto vira estouro.

Pronto quando: a soma das entregas mais a reserva fecha no teto. Armadilha: apertar as estimativas para caber no teto. Se não cabe, corte escopo, não a estimativa.

4. Acompanhe toda semana

Uma vez por semana, no horário marcado, preencha um relatório de cinco linhas: entregas concluídas contra planejadas, desvio de prazo, desvio de custo, maior risco e a decisão de que você precisa. O modelo está mais abaixo, pronto para copiar.

O desvio é a diferença entre o que o plano previa para esta semana e o que aconteceu. Dois cuidados. Gastar menos que o planejado nem sempre é economia: pode ser trabalho atrasado, e o exemplo a seguir mostra isso. E meça contra o plano, não contra a sensação.

Pronto quando: o relatório sai toda semana, no mesmo dia, mesmo em semana boa. Armadilha: pular a semana em que "não aconteceu nada".

5. Controle as mudanças por escrito

Mudança é qualquer coisa que altera entrega, custo ou prazo do que está no termo. Toda mudança passa por um pedido escrito de quatro linhas: o que muda, quanto custa, quanto prazo soma e de onde sai o dinheiro. Quem decide é a pessoa nomeada no começo. O pedido pode ser aprovado, recusado ou adiado; o que não pode é acontecer sem registro.

Aqui está a imagem da obra: o pedido de mudança é a alteração na planta. Sem ele, cada "já que estamos aqui" some no meio do projeto e reaparece como custo no final.

Pronto quando: toda mudança aprovada aparece na EAP com o novo custo e a nova data. Armadilha: aprovar de boca e atualizar "depois".

6. Encerre e registre as lições

Encerrar é conferir as entregas contra o termo, fechar os pagamentos e escrever o que aprendeu. Cinco linhas bastam: o que saiu como previsto, o que desviou, por quê, o que mudar na próxima estimativa e quem ficou com o quê agora. É fácil pular, porque o projeto "acabou" e a rotina chama.

Pronto quando: as lições estão escritas num lugar em que você as encontrará no próximo projeto. Armadilha: celebrar a abertura e esquecer de registrar o custo real. Sem o custo real, a estimativa do próximo projeto volta a ser palpite.

Exemplo completo: segunda unidade de uma padaria em Londrina

A padaria é fictícia: o dono e a sócia tocam a primeira loja, em Londrina, e decidem abrir a segunda. Os números são redondos e ilustrativos, não vêm de um caso real. O termo de abertura diz: objetivo, uma segunda padaria vendendo em 10 semanas; teto de R$ 100.000, sendo R$ 90.000 de entregas e R$ 10.000 de reserva (10% do teto); fora do escopo, linha de produtos nova e entregas em domicílio. Quem decide é o dono.

Exemplo com números

Padaria · EAP com orçamento e semanas

Nº Entrega Custo Semanas
1.1 Contrato de aluguel assinado e caução R$ 9.000 1
1.2 Licenças protocoladas R$ 2.500 1 a 3
2.1 Reforma civil e elétrica concluída R$ 28.000 2 a 6
2.2 Fachada e comunicação visual instaladas R$ 6.000 7 e 8
3.1 Forno e câmara de fermentação instalados R$ 20.000 sinal de 50% (R$ 10.000) na 4; instalação na 7 e 8
3.2 Balcão, vitrine e mobiliário montados R$ 9.000 7
3.3 Sistema de vendas e maquininhas funcionando R$ 2.500 8
4.1 Três pessoas contratadas e treinadas R$ 4.000 7 a 9
5.1 Estoque inicial comprado R$ 6.000 9
5.2 Divulgação da inauguração rodando R$ 3.000 8 e 9
Soma das entregas R$ 90.000
Reserva (10% do teto) R$ 10.000
Teto do projeto R$ 100.000 10 semanas

Números de exemplo fictício. Troque pelos seus.

Confira a conta, porque ela fecha por grupo: ponto (1.1 e 1.2) R$ 11.500; obra e fachada (2.1 e 2.2) R$ 34.000; equipamentos e sistema (3.1, 3.2 e 3.3) R$ 31.500; equipe (4.1) R$ 4.000; abertura (5.1 e 5.2) R$ 9.000. Soma: 11.500 + 34.000 + 31.500 + 4.000 + 9.000 = R$ 90.000, mais R$ 10.000 de reserva dá o teto de R$ 100.000 (10.000 ÷ 100.000 = 10%).

O cronograma tem tarefas até a semana 9 e a inauguração acontece ao fim da última semana de tarefas; a semana 10 é a folga, sem tarefa nenhuma.

Semana 4: o desvio

Ao fim da semana 4, o plano previa: aluguel pago (R$ 9.000), licenças protocoladas (R$ 2.500), a obra em 60% (3 das 5 semanas, ou R$ 16.800) e o sinal do forno (R$ 10.000). O que aconteceu: aluguel pago, licenças a 60% (R$ 1.500 gastos), a obra em 40% (R$ 11.200) e o sinal do forno pago.

Exemplo com números

Padaria · relatório da semana 4

Linha Planejado Realizado
Entregas concluídas 2 de 10 1 de 10
Obra (2.1) 60% 40%
Gasto acumulado R$ 38.300 R$ 31.700

Números de exemplo fictício. Troque pelos seus.

Leia o relatório com atenção. O gasto está R$ 6.600 abaixo do plano (38.300 − 31.700 = 6.600), e quem olha só para o dinheiro comemora.

Mas o desvio é de trabalho atrasado: a obra está 20 pontos percentuais atrás, o que equivale a uma semana (20% de R$ 28.000 = R$ 5.600, e R$ 28.000 ÷ 5 semanas = R$ 5.600 por semana). Os outros R$ 1.000 de diferença são as licenças, ainda não concluídas. O desvio de custo, no que foi feito, é zero. O desvio de prazo é de uma semana.

O pedido de mudança

Na mesma semana, o eletricista avisa que o quadro elétrico atual não suporta o forno novo. Trocar o quadro custa R$ 4.000 e soma uma semana à reforma. É uma mudança, e vai para o pedido escrito:

Exemplo com números

Padaria · pedido de mudança nº 1

Campo Conteúdo
O que muda Troca do quadro elétrico, dentro da entrega 2.1
Custo + R$ 4.000
Prazo + 1 semana na obra, somada à semana de atraso que ela já tem: o restante do cronograma desliza 2 semanas
De onde sai Da reserva: de R$ 10.000 passa a R$ 6.000
Decisão do dono Aprovado o custo; prazo em decisão (ver abaixo)

Números de exemplo fictício. Troque pelos seus.

O custo previsto sobe de R$ 90.000 para R$ 94.000 (90.000 + 4.000), e o teto de R$ 100.000 se mantém, com R$ 6.000 de reserva livre (10.000 − 4.000), ou 60% da reserva de R$ 10.000.

O prazo pede mais cuidado. Na semana 4 a obra já está 1 semana atrasada: faltam 60% do trabalho, 3 semanas, e ela termina na semana 7, não na 6.

O quadro elétrico soma outra semana, e a obra vai à semana 8. O resto do cronograma desliza 2 semanas, e as tarefas, que acabavam na semana 9, passam à 11. A licença 1.2, prevista para as semanas 1 a 3, também está atrasada na semana 4 (60% feita), mas corre em paralelo e não muda essa conta. A folga cobre 1 das 2 semanas, então o fim vai da semana 10 para a semana 11 (10 + 2 − 1 = 11).

Quem decide é o dono, e as opções são duas: recuperar a semana, por exemplo com um turno extra na obra pago da reserva, ou aceitar a inauguração na semana 11. Com a primeira, cada real gasto sai dos R$ 6.000 livres. Com a segunda, o relatório da semana 5 avisa que a folga acabou e que qualquer novo atraso vira data nova. E sem o pedido escrito, o quadro elétrico seria uma discussão em fim de obra, e não uma decisão na semana 4.

Para o caixa do período, em que o dinheiro do forno e da obra sai antes de a loja vender, veja fluxo de caixa na pequena empresa. E para o preço do que a segunda unidade vai vender, precificação de serviços mostra a lógica de margem.

Cascata, Kanban ou Scrum: quanto método o seu projeto pede

O seu projeto pede o método que cabe no tamanho dele, e o critério abaixo é meu, da Consylion, não uma norma. Três sinais decidem: o valor do projeto, o número de pessoas e o prazo. Se qualquer um dos três passa do limite do nível, suba um nível.

Nível Quando O que usar
1. Lista de tarefas Até R$ 5.000, até 1 pessoa (só você) e até 2 semanas Uma lista com o que entrega, a data e o que fica de fora
2. Kanban Acima de R$ 5.000 e até R$ 30.000, de 2 a 4 pessoas, acima de 2 e até 8 semanas Um quadro com colunas (a fazer, fazendo, feito) e as mudanças anotadas
3. Plano completo Acima de R$ 30.000, 5 pessoas ou mais, acima de 8 semanas, ou fornecedores externos Os três documentos e a planilha deste guia

O raciocínio: quanto mais dinheiro, gente e semanas, mais caro o erro e mais gente precisa entender o combinado, e então o papel compensa. Num projeto de uma tarde, o papel custa mais que o erro. A padaria do exemplo tem R$ 100.000, fornecedores e 10 semanas, por isso o plano completo.

Kanban, segundo o Kanban Guide (2025), "é uma estratégia para otimizar o fluxo de valor por um processo" (tradução minha), e pede que os membros "controlem explicitamente o número de itens de trabalho" em andamento. Na prática, é o quadro do nível 2 com um limite: no máximo três itens em "fazendo" ao mesmo tempo. Esse limite é meu, não do guia.

Scrum é outra coisa, e merece cuidado. Pelo Scrum Guide (2020), Scrum é "uma estrutura leve que ajuda pessoas, equipes e organizações a gerar valor por meio de soluções adaptativas para problemas complexos" (tradução minha), com ciclos (Sprints) de até um mês e times tipicamente de 10 pessoas ou menos. Vale quando você descobre o que funciona fazendo, como no desenvolvimento de um aplicativo. Não é o caso de abrir uma padaria.

E aqui entra um aviso dos próprios criadores do Scrum, no Guia:

"Embora seja possível implementar apenas partes do Scrum, o resultado não é Scrum." (tradução minha; original: "While implementing only parts of Scrum is possible, the result is not Scrum.") — Ken Schwaber e Jeff Sutherland, cocriadores do Scrum, no Scrum Guide (2020)

Por isso eu não ofereço "Scrum simplificado". Se você pega uma parte, chame pelo que é: lista, quadro ou plano. O Scrum entra inteiro ou não entra.

Quando alguém fala de gestão de projetos e metodologias ágeis, o ponto prático é este: o ágil serve a problemas em que o escopo se descobre, e o plano completo serve a projetos em que o escopo já é conhecido. A ISO 21502 admite os dois e inclui abordagens ágeis. Você não precisa escolher um lado; precisa escolher pelo problema.

Planilha de gestão de projetos: o que ela precisa ter

Uma planilha de gestão de projetos precisa de uma linha por entrega e de poucas colunas, as que mostram o desvio. Planilha com 40 colunas ninguém atualiza. As que eu uso como mínimo:

  • Nº e entrega: a numeração da EAP.
  • Responsável: uma pessoa, não uma equipe.
  • Semana prevista: início e fim.
  • Custo planejado e custo gasto: em R$, lado a lado.
  • Situação: não iniciada, em andamento, concluída ou atrasada.
  • % concluído: só 0, 50% e 100% para entregas pequenas, para evitar chute.

Acima da tabela, três células de resumo: gasto acumulado contra planejado, entregas concluídas contra planejadas e reserva restante. Elas dão o desvio de relance. Excel ou Google Sheets, tanto faz: escolha a que você abre toda semana. Se uma planilha de gestão de projetos exige cadastro para baixar, monte a sua com as colunas acima. O manual da Consylion traz uma planilha pronta, mas nada aqui depende dela.

Variações por tipo de negócio

O método é o mesmo; muda onde está o risco de cada tipo de projeto.

  • Abrir uma unidade (alimentação e comércio): o risco está na obra e nas licenças, que dependem de terceiros. Coloque as licenças no início do cronograma, e a folga no fim.
  • Lançar um produto (comércio e indústria leve): o risco está no estoque inicial e na data. Defina o que é "lançado" (por exemplo, "disponível em loja e no WhatsApp") e o volume do primeiro lote.
  • Implantar um sistema (serviços): o risco está nas pessoas, não na tecnologia. Entregas como "cadastro migrado" e "equipe treinada" valem mais que "sistema instalado". Quem decide o que migra precisa estar nomeado no termo.

Para cada um, o termo de abertura precisa dizer o que fica de fora. É o que mais evita a discussão de depois.

Quais são os erros comuns na gestão de projetos?

Cada erro abaixo se resolve com um passo deste guia. Releia o seu projeto e marque os que reconhece.

Checklist

  • Escopo sem limite. O termo diz o que entra, mas não o que fica de fora. Volte ao passo 1.
  • Projeto sem dono. "A equipe cuida" quer dizer que ninguém cuida. Nomeie um responsável por entrega e um decisor do projeto.
  • Nenhuma revisão semanal. Você só descobre o atraso quando a data passa. Marque os 20 minutos (passo 4).
  • Estimar sem margem. Estimativa apertada com teto igual à soma não deixa espaço para o imprevisto. Reserve custo e folga (passo 3).
  • Mudança de boca. Cada "já que estamos aqui" aprovado sem registro desfaz o orçamento sem aparecer em lugar nenhum (passo 5).
  • Comemorar o gasto abaixo do plano. Pode ser trabalho atrasado, como na semana 4 da padaria. Compare com o trabalho feito.

Modelo pronto: termo de abertura, EAP e relatório semanal

Os três modelos abaixo cabem numa folha cada, sem cadastro. Copie para um documento e troque os campos. O termo e a EAP são do método da Consylion.

Modelo pronto para copiar

Termo de abertura (1 página)

Projeto: [nome] Objetivo: [uma frase: o que existe no fim que não existe hoje] Entrega final: [como saber que está pronto] Fora do escopo: [o que este projeto não faz] Prazo: [data final ou nº de semanas] | Folga: [1 semana no fim] Custo: entregas R$ [ ] + reserva R$ [ ] (10% do teto) = teto R$ [ ] Quem decide mudanças: [nome] Maiores riscos: [3 itens] Data e confirmação: [dia] / [nome de quem autoriza]

Modelo pronto para copiar

EAP (lista numerada)

  1. [Grupo 1] 1.1 [Entrega] | Responsável: [nome] | R$ [ ] | Semanas [ ] | Pronto quando: [critério] 1.2 [Entrega] | Responsável: [nome] | R$ [ ] | Semanas [ ] | Pronto quando: [critério]
  2. [Grupo 2] 2.1 [Entrega] | Responsável: [nome] | R$ [ ] | Semanas [ ] | Pronto quando: [critério] (máximo de 15 entregas; a soma dos custos mais a reserva fecha no teto)

Modelo pronto para copiar

Relatório semanal (5 linhas)

  1. Entregas: [concluídas] de [planejadas] até esta semana.
  2. Prazo: [adiantado ou atrasado em N semanas], porque [motivo].
  3. Custo: gasto R$ [ ] contra planejado R$ [ ]; reserva restante R$ [ ].
  4. Maior risco agora: [um item].
  5. Decisão de que preciso: [uma pergunta, com a data limite].

O Manual de Gestão de Projetos da Consylion, logo abaixo, traz o termo, o relatório semanal e o pedido de mudança ampliados num Kit de 12 modelos, e a EAP na aba Entregas da planilha de oito abas.

Exercício de 30 minutos

Faça hoje, para o próximo projeto que você tem em mente, mesmo que ainda não tenha data de início. Não precisa sair perfeito.

Mão na massa · 30 minutos

Termo de abertura e EAP do seu próximo projeto

  • Minutos 0 a 10: copie o modelo de termo de abertura e preencha objetivo, entrega final e, principalmente, o que fica de fora. Escreva pelo menos três itens fora.
  • Minutos 10 a 25: quebre o projeto numa lista numerada de até 15 entregas. Para cada uma, escreva um nome de coisa pronta (não um verbo) e o critério de pronto.
  • Minutos 25 a 30: ponha um custo estimado em cada entrega, some, acrescente a reserva (10% do teto, como no modelo) e compare com o teto que você aceita gastar.
  • Pronto quando: você tem uma página de termo, uma lista de até 15 entregas e a soma dos custos mais a reserva cabendo no teto.

Escrever o projeto não tira o trabalho do caminho. Tira o peso de tocá-lo no escuro. E, no dia em que alguém disser "já que estamos aqui", você terá uma página que responde se isso entra ou não.

Para levar
Projeto sem fora do escopo é promessa sem limite.

Padrão Consylion de aconselhamento

Como usar este conselho

De onde vem
A definição de projeto e os cinco grupos de processos do Guia PMBOK 6ª edição (do PMI), como reproduzidos pela Enap; o Scrum Guide 2020; o Kanban Guide 2025; o escopo da ISO 21502; a pesquisa de sobrevivência do Sebrae; e o método do Manual de Gestão de Projetos da Consylion, simplificado para a pequena empresa. As 8 fontes estão listadas no fim do artigo.
Quando se aplica
  • Projetos pontuais de 2 a 6 meses numa empresa de 1 a 9 pessoas: abrir uma unidade, lançar um produto, implantar um sistema.
  • Dono ou gestor que acumula o papel de patrocinador e de gerente do projeto.
Limites
  • Não substitui gestão de portfólio, obra regulada nem projeto com contrato público.
  • Projeto de alto valor ou com risco jurídico pede profissional (engenheiro, arquiteto, advogado, contador).
  • A simplificação para três documentos e uma planilha e o critério por porte são da Consylion, não do PMBOK nem de norma.
  • Os números do exemplo são ilustrativos, de uma padaria fictícia.
Na prática
Uma página de texto, uma planilha (ou um quadro de papel) e 20 minutos por semana de revisão, além do trabalho do projeto em si.
Como medir o resultado
  • Toda semana: desvio de prazo (semanas de atraso) e de custo (gasto contra o planejado para a mesma data).
  • Entregas concluídas dividido por entregas planejadas na EAP, na mesma semana.
Quando revisar
  • O PMI publicar nova edição do guia ou mudar os grupos de processos (este texto usa a 6ª edição).
  • O Scrum Guide ou o Kanban Guide forem atualizados.
  • O Manual de Gestão de Projetos mudar os modelos.

Última revisão em .

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Perguntas frequentes

Dá para gerenciar um projeto só com planilha?
Dá, e para a maioria dos projetos de empresa pequena é o que eu recomendo. Uma planilha com uma linha por entrega, com responsável, semana, custo planejado, custo gasto e situação, mostra o desvio toda semana. Comece em papel ou planilha por um projeto. Só vale um sistema quando várias pessoas atualizam ao mesmo tempo ou quando você toca vários projetos juntos.
Quanto tempo planejar antes de começar?
O critério que eu uso: de 10% a 15% do prazo total. Num projeto de 10 semanas, são de 1 a 1,5 semana para termo de abertura, EAP, cronograma e orçamento. Menos que isso costuma deixar o escopo solto. Mais que isso vira adiar a obra. Não é norma, é um ponto de partida que você ajusta pelo que o erro custa.
Preciso fazer curso ou certificação PMP para gerenciar projetos?
Para tocar o projeto da sua empresa, na minha opinião, nem curso nem certificação PMP são necessários; a certificação só faz sentido se a carreira ou um contrato exigir. Os documentos deste guia cabem em uma página cada. Se quiser estudar, a Escola Virtual.gov oferece o curso Gestão de projetos, aberto a cidadãos em geral, de 10 horas, com certificação da Enap, que aborda conceitos básicos, ciclo de vida e boas práticas. Eu não cursei esse conteúdo; indico pela descrição oficial da página.
Qual a diferença entre gestor de projetos, gerente de projetos e PMO?
Gestor ou gerente de projetos é quem responde por um projeto do começo ao fim. PMO (escritório de projetos) costuma ser a função de padronizar e apoiar vários projetos, e o termo varia de empresa para empresa. Na pequena empresa, minha opinião é que o dono acumula o primeiro papel e quase nunca precisa do segundo.
O termo de abertura precisa de assinatura?
Não existe exigência para o projeto de uma empresa pequena. O que importa é que o documento exista e que quem decide o aprove. Na fonte do PMBOK, o termo é emitido pelo patrocinador e autoriza o projeto. Na sua empresa, o patrocinador é você. Se há sócio ou financiador, peça a ele que confirme o termo por escrito, nem que seja por mensagem.
Quando vale usar Scrum numa empresa pequena?
Quando o problema é complexo e você só descobre o que funciona fazendo, como desenvolver um aplicativo, com um time tipicamente de 10 pessoas ou menos e ciclos de até um mês. Abrir uma unidade ou implantar um sistema pronto são problemas conhecidos. Para eles, eu uso lista, Kanban ou o plano completo. O Scrum Guide avisa que usar só partes do Scrum não é Scrum.
Edson Oliveira

Quem escreveu

Edson Oliveira

Fundador da Consylion e criador do Protocolo Consylion™

Li mais de 2.000 livros de negócios e reuni nos manuais da Consylion os métodos que uma pequena empresa consegue aplicar. Aqui, escrevo o passo a passo para você usar no seu negócio, com exemplos e a fonte de cada número.

Como produzimos este conteúdo

A pauta parte das dúvidas reais de quem toca uma pequena empresa e dos métodos dos manuais Consylion. O texto é escrito com apoio de inteligência artificial e segue o padrão editorial da Consylion: cada número, regra e citação vem de uma fonte confiável (órgãos públicos, normas, leis e pesquisas com metodologia publicada), aberta e conferida, e está listada no fim do artigo; o que não pode ser verificado não entra. Os exemplos com números são ilustrativos e estão identificados como tal. Quando surgem dados melhores ou as regras mudam, o artigo é revisado. Última revisão em .

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Fontes citadas

  1. 01 Enap, Módulo I: Introdução à Gerência de Projetos (2017), citando o Guia PMBOK 6ª ed. do PMI
  2. 02 Scrum Guide (Schwaber e Sutherland, novembro de 2020)
  3. 03 Scrum Guide 2020, versão em PDF
  4. 04 Kanban Guide (v2025.5, maio de 2025)
  5. 05 ISO 21502:2020, Project, programme and portfolio management: guidance on project management (resumo oficial do comitê ISO/TC 258)
  6. 06 DataSebrae, Sobrevivência das Empresas (2023)
  7. 07 DataSebrae, Ficha do indicador Aumentar a Sobrevivência (metodologia, 2024)
  8. 08 Escola Virtual.gov, curso Gestão de projetos