Operação e Produto· Organizar a operação
Lead time: o que é e como calcular para repor o estoque
"O fornecedor disse sete dias, então peço sete dias antes de acabar." Se você pensa assim, não está errado por descuido. Está usando o único número que tem. Eu quero corrigir o diagnóstico: o problema quase nunca é o fornecedor demorar. É que ninguém anotou quanto cada pedido realmente levou, e sem esse dado a compra sai sempre tarde (e falta produto) ou sempre cedo (e o dinheiro fica parado na prateleira).
Neste guia eu mostro como medir o prazo real de um fornecedor e como transformar esse prazo em um número de estoque que dispara o próximo pedido. Fico em compras e reposição, o dia a dia de quem tem loja ou serviço. Este guia trata do lead time de compras e reposição; o tempo de produção fica fora. Se você ainda está organizando de quem comprar, comece pelo guia de supply chain.
Lead time: o que é, em uma frase
Lead time, ou tempo de reposição, é o intervalo entre a emissão do pedido e a chegada do material ao estoque. É a definição de Renato Fenili no livro Gestão de Materiais, da Escola Nacional de Administração Pública (Enap, 2015): "o intervalo de tempo entre a emissão do pedido e a chegada do material no almoxarifado". Em português do dia a dia: quanto tempo passa entre você pedir e o produto estar na sua prateleira.
O livro é de almoxarifado de órgãos públicos, mas a lógica serve a qualquer um que reponha estoque. Ele detalha o que cabe nesse intervalo: o processamento da compra, o trabalho do fornecedor e o recebimento.
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De onde a contagem começa e termina
A contagem começa no dia em que você emite o pedido e termina no dia em que o produto chega ao seu estoque. A fonte fixa esses dois pontos, e é por isso que eu conto assim.
Dois pontos de partida enganam. O primeiro é contar da confirmação do fornecedor, que vem depois do seu pedido: o prazo parece menor do que o seu estoque sentiu. O segundo é parar no aviso de envio, quando o caminhão ainda está na estrada. Essas duas regras de contagem são critério meu, para o número bater com o que a sua prateleira viveu. A fonte só diz onde a contagem começa e termina.
Também escolho dias corridos. Eu não conto só dias úteis, porque o consumo continua no fim de semana. A Enap usa dias corridos no exemplo dela, mas não impõe isso como regra geral: é decisão minha, para a conta de reposição fechar com o consumo por dia.
Este guia trata do lado da compra: do seu pedido ao produto no seu estoque.
Como calcular o lead time do seu fornecedor
O lead time de um pedido é a data de chegada menos a data do pedido, em dias corridos. O lead time médio do fornecedor é a soma dos prazos de vários pedidos dividida pelo número de pedidos. O pior caso é o maior prazo entre eles. Média e pior caso são aritmética e critério da Consylion, não definição da literatura.
Imagine uma loja de material de limpeza em Londrina, que compra galões de desinfetante de 5 litros de um mesmo fornecedor. O fornecedor promete sete dias. Os números são fictícios e redondos. Estes são os seis últimos pedidos, com as datas de 2026:
Exemplo com números
Loja de material de limpeza em Londrina · seis pedidos do mesmo fornecedor
| Pedido | Data do pedido | Data da chegada | Lead time (dias corridos) |
|---|---|---|---|
| 1 | 03/08 | 11/08 | 8 |
| 2 | 17/08 | 24/08 | 7 |
| 3 | 31/08 | 06/09 | 6 |
| 4 | 14/09 | 21/09 | 7 |
| 5 | 28/09 | 10/10 | 12 |
| 6 | 12/10 | 20/10 | 8 |
| Soma | 48 | ||
| Média (48 ÷ 6) | 8 dias | ||
| Pior caso | 12 dias |
Números de exemplo fictício. Troque pelos seus.
O prazo prometido era 7 dias. A média real é 8, e três dos seis pedidos (o 1, o 5 e o 6) passaram dos 7 prometidos. O pedido 5 levou 12 dias, quase o dobro do prometido. Quem decide pelo prometido, nesse fornecedor, erra a conta em metade das compras.
Ponto de pedido: quando fazer o próximo pedido
O ponto de pedido é a quantidade em estoque que, ao ser atingida, deve provocar um novo pedido de compra. Na fórmula da Enap, PP = (C × TR) + ES, onde C é o consumo médio do item, TR é o tempo de reposição (o lead time) e ES é o estoque de segurança. Durante a espera, o consumo continua, e é isso que a conta cobre.
Aqui uso o consumo por dia e o lead time em dias. O livro faz a mesma coisa em meses: no exemplo dele, consumo de 90 unidades por mês, reposição em 12 dias (0,4 mês) e estoque de segurança de 50 unidades dão 50 + 90 × 0,4 = 86 unidades. Em dias, 90 por mês são 3 por dia, e 3 × 12 + 50 = 86. A conta fecha dos dois jeitos.
O estoque de segurança é, nas palavras da fonte, um estoque "adicional", para cobrir imprevistos como atraso na reposição e aumento do consumo. Em condições normais, ele nunca é usado. Aqui eu não vou ensinar a dimensioná-lo por método estatístico. Para o exemplo, fixo em 24 unidades.
Voltando à loja de Londrina. Ela vende em média 12 galões por dia e mantém 24 de segurança, dois dias de venda. O ponto de pedido com a média dos pedidos:
- Consumo durante a espera: 12 galões por dia × 8 dias = 96 galões.
- Mais o estoque de segurança: 96 + 24 = 120 galões.
Quando o estoque baixar a 120 galões, a loja faz o pedido.
Infográfico

Ler o infográfico em texto
Do lead time médio ao ponto de pedido, no exemplo de uma loja de material de limpeza
A conta do ponto de pedido
12 galões × 8 dias + 24 galões = 120
- 12 galões: consumo médio por dia
- × 8 dias: lead time médio dos 6 pedidos
- + 24 galões: estoque de segurança
- = 120: galões: ao chegar aqui, peça
Atenção: Pedir pelos 7 dias prometidos daria 108 galões, 12 a menos.
Para onde vão os 120 galões
| Parte | Valor | % do total |
|---|---|---|
| Cobre a espera (12 por dia, 8 dias) | 96 galões | 80,0% |
| Folga de segurança (2 dias de venda) | 24 galões | 20,0% |
| Total | 120 galões | 100% |
Fonte: Fórmula PP = (C × TR) + ES, de Fenili, Gestão de Materiais (Enap, 2015); lead time médio calculado com seis pedidos do exemplo. Exemplo fictício, com números redondos. Troque pelos seus.
Se a loja tivesse pedido pelo prazo prometido, o ponto seria 12 × 7 + 24 = 108 galões. A diferença para a média é de 12 galões, um dia de venda, e já parece pouco. O problema aparece na próxima seção.
Média ou pior caso: como escolher
Usar a média significa aceitar que, nos pedidos que passam da média, a conta fica curta. Usar o pior caso significa se proteger do atraso e carregar mais estoque. A fonte mostra o dilema: estoque de segurança alto garante o abastecimento, mas imobiliza capital; baixo libera capital, mas arrisca a ruptura, quando o produto acaba e você não consegue atender o cliente.
A régua para decidir é critério meu, em duas perguntas:
- Faltar esse item custa caro? É item de giro alto, ou que faz o cliente trocar de loja quando acaba?
- O fornecedor é instável? O pior prazo fica muito acima da média?
Se as duas respostas forem sim, eu calculo o ponto de pedido com o pior lead time dos últimos pedidos. Se o item é barato, de giro baixo e o fornecedor é regular, uso a média. No meio, uma resposta sim e uma não, eu começo pela média e olho o próximo atraso.
Na loja de Londrina, o desinfetante é de giro alto e o fornecedor chegou a 12 dias contra 8 de média. Veja o que cada escolha faz:
Exemplo com números
Loja de material de limpeza em Londrina · o ponto de pedido de três jeitos
| Base do lead time | Cálculo | Ponto de pedido | Se o pedido levar 12 dias |
|---|---|---|---|
| Prazo prometido (7 dias) | 12 × 7 + 24 | 108 galões | faltam 36 galões (3 dias sem produto) |
| Média dos pedidos (8 dias) | 12 × 8 + 24 | 120 galões | faltam 24 galões (2 dias sem produto) |
| Pior caso (12 dias) | 12 × 12 + 24 | 168 galões | sobram 24 galões (a segurança intacta) |
Números de exemplo fictício. Troque pelos seus.
A conta de cada linha é o ponto de pedido menos o consumo de 12 galões por dia durante 12 dias, que dá 144 galões. Com 108, faltam 36; com 120, faltam 24; com 168, sobram 24.
O pior caso custa 48 galões a mais de estoque que a média (168 menos 120), quatro dias de venda. A R$ 15 por galão, um preço fictício, são R$ 720 de dinheiro parado na prateleira. A loja decide se esse custo vale para nunca ficar sem o produto. Para o item de giro alto, eu pagaria. Para um item barato que o cliente aceita esperar, eu ficaria na média.
Dinheiro parado em estoque também pesa no caixa, e é o tipo de efeito que o fluxo de caixa deixa visível.
Como reduzir o lead time sem trocar de fornecedor
Reduzir o prazo costuma depender mais de como você pede do que de quem entrega. São cinco ações curtas, todas minhas, em ordem de esforço:
Passo a passo
- Confirme o pedido por escrito.
- Peça em dia fixo.
- Junte itens num pedido só.
- Negocie o prazo por escrito.
- Tenha um segundo fornecedor para o item crítico.
- Confirme o pedido por escrito. Mande a lista e peça o aceite. Pronto quando todo pedido tem uma mensagem de volta com a data prevista.
- Peça em dia fixo. Se o fornecedor monta cargas em certos dias, peça antes deles. Pronto quando você sabe o dia de corte e pede no dia anterior.
- Junte itens num pedido só. Menos pedidos pequenos, menos processamento. Pronto quando a reposição dos itens do mesmo fornecedor sai junta.
- Negocie o prazo por escrito. Combine uma data de entrega e o que acontece se atrasar. Pronto quando o combinado está registrado.
- Tenha um segundo fornecedor para o item crítico. Pronto quando existe um nome com preço e prazo para o produto que não pode faltar.
Cada ação deve aparecer na sua tabela de pedidos. Se o lead time médio não cair em dois ou três pedidos, a ação não funcionou.
O erro mais comum
O erro mais comum é confiar no prazo prometido e nunca medir o real. O prazo prometido é a intenção do fornecedor num dia bom. O lead time medido é o que a sua prateleira viveu, e é o único que entra na conta do ponto de pedido.
O segundo erro, que já citei, é contar da confirmação e não da emissão do pedido. Um terceiro, parecido: misturar fornecedores na mesma média. Cada fornecedor tem o seu prazo, e a média de três deles não descreve nenhum.
Pense no trajeto de casa até a loja. Você só sabe a hora certa de sair se já cronometrou o caminho, sem confiar no que outra pessoa disse sobre o trânsito.
Exercício de 15 minutos: meça o seu fornecedor
Para copiar, a tabela de medição:
Modelo pronto para copiar
Tabela de medição do lead time por fornecedor
| Pedido | Data do pedido | Data da chegada | Dias corridos | Prazo prometido | Atraso sobre o prometido |
|---|---|---|---|---|---|
| 1 | |||||
| 2 | |||||
| 3 | |||||
| 4 | |||||
| 5 | |||||
| 6 | |||||
| Média | soma ÷ 6 | ||||
| Pior caso | maior valor |
Ponto de pedido do item = consumo médio por dia × lead time (média ou pior caso) + estoque de segurança
Mão na massa · 30 minutos
Meça o lead time do seu fornecedor principal
- Minutos 0 a 5: abra os seis últimos pedidos do seu fornecedor mais importante e ache a data em que você pediu e a data em que o produto chegou ao estoque.
- Minutos 5 a 8: preencha os dias corridos de cada pedido, calcule a média e anote o pior caso.
- Minutos 8 a 12: escolha um item que vende todo dia e estime o consumo médio por dia. Aplique a régua das duas perguntas para escolher entre média e pior caso, e fixe o estoque de segurança.
- Minutos 12 a 15: calcule o ponto de pedido e escreva o número onde você olha o estoque.
- Pronto quando: você tem a média, o pior caso e um ponto de pedido para um item.
Esse é o ponto de partida, e a fórmula tem um limite: ela supõe consumo estável. Se o item é sazonal ou o fornecedor muda de comportamento, revise a conta. Quando a ficha deixar de bastar, o Manual de Compras e Estoque da Consylion traz a planilha de compras e estoque pronta.
Prazo prometido é opinião do fornecedor. Prazo medido é dado seu.
Padrão Consylion de aconselhamento
Como usar este conselho
- De onde vem
- A definição de lead time (tempo de reposição) e a fórmula do ponto de pedido de Fenili, Gestão de Materiais (Enap, 2015), aplicadas ao pequeno negócio; a média e o pior caso dos pedidos e a escolha entre os dois são critério da Consylion, com base no Manual de Compras e Estoque. As 3 fontes estão listadas no fim do artigo.
- Quando se aplica
- Dono(a) de comércio ou serviço com 1 a 9 pessoas que repõe estoque com fornecedores e hoje pede quando sente que está acabando.
- Quem tem um fornecedor principal e consegue achar as datas dos últimos pedidos.
- Limites
- O material da Enap é de almoxarifado de órgãos públicos; a lógica da fórmula é a mesma, mas o exemplo da loja de Londrina é fictício, com números redondos, e não prevê o seu resultado.
- A fórmula parte de um consumo constante (a fonte diz isso da demanda). Item sazonal, promoção ou fornecedor instável pedem mais folga no estoque de segurança.
- A média, o pior caso e a régua para escolher entre os dois são critério da Consylion, não norma. Para operação grande ou com muitos itens, um sistema de planejamento faz o que a planilha não alcança.
- Na prática
- Uma planilha ou um caderno com seis pedidos do fornecedor principal, as datas de emissão e de chegada, o consumo diário de um item e 15 minutos.
- Como medir o resultado
- Em até 1 semana, tenha o lead time médio e o pior caso do fornecedor principal calculados com os 6 últimos pedidos.
- Em 1 mês, confira se os pedidos de reposição foram disparados pelo ponto de pedido e não pela falta do produto.
- A cada trimestre, compare o lead time real com o prazo prometido pelo fornecedor.
- Quando revisar
- Você trocar de fornecedor ou mudar a forma de entrega.
- Dois pedidos seguidos chegarem fora do padrão.
- A demanda mudar (sazonalidade, promoção, produto novo).
Última revisão em .
Perguntas frequentes
- Lead time é o mesmo que prazo de entrega?
- Quase, mas com um detalhe que muda a decisão. O prazo de entrega é o que o fornecedor promete. O lead time é o que de fato passou entre a emissão do seu pedido e a chegada do material ao estoque. Para repor na hora certa, use o lead time medido, porque ele inclui o processamento do pedido, o trabalho do fornecedor e o recebimento.
- Quantos pedidos preciso para calcular uma média confiável?
- Não existe um número mágico. Seis pedidos é o ponto de partida que eu uso: dá para ver se o fornecedor é regular ou se varia muito. Isso é critério meu, não regra de fonte. Quanto mais variam os prazos, mais pedidos valem a pena olhar, e mais o pior caso importa. Atualize a conta a cada pedido novo.
- Lead time se conta em dias úteis ou corridos?
- Escolha um e use sempre o mesmo. Eu uso dias corridos, porque o estoque também é consumido no sábado e no domingo, e a conta do ponto de pedido usa o consumo por dia. O exemplo da Enap também usa dias corridos. Se a sua loja não abre aos domingos, ajuste o consumo diário para refletir isso.
Quem escreveu
Fundador da Consylion e criador do Protocolo Consylion™
Li mais de 2.000 livros de negócios e reuni nos manuais da Consylion os métodos que uma pequena empresa consegue aplicar. Aqui, escrevo o passo a passo para você usar no seu negócio, com exemplos e a fonte de cada número.
Como produzimos este conteúdo
A pauta parte das dúvidas reais de quem toca uma pequena empresa e dos métodos dos manuais Consylion. O texto é escrito com apoio de inteligência artificial e segue o padrão editorial da Consylion: cada número, regra e citação vem de uma fonte confiável (órgãos públicos, normas, leis e pesquisas com metodologia publicada), aberta e conferida, e está listada no fim do artigo; o que não pode ser verificado não entra. Os exemplos com números são ilustrativos e estão identificados como tal. Quando surgem dados melhores ou as regras mudam, o artigo é revisado. Última revisão em . Leia a política editorial completa.
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Fontes citadas
- 01 Fenili, R. R. Gestão de Materiais. Brasília: Enap, 2015 (Enap Didáticos, nº 1), Quadro 8 (p. 50): tempo de reposição e ponto de pedido
- 02 Fenili, R. R. Gestão de Materiais (Enap, 2015), item 5.1 (pp. 50-51): dimensionamento do estoque de segurança
- 03 Fenili, R. R. Gestão de Materiais (Enap, 2015), Atividade 2: determinação do ponto de pedido (exemplo com 86 unidades)
