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Networking: o que é e como fazer na pequena empresa

"Preciso conhecer mais gente." É o que quase todo dono de negócio pensa quando pensa em networking, e o que o leva a eventos, cartões de visita e grupos de mensagem. Mas o problema raramente é falta de contatos. É a rede que você já tem esfriar por falta de um toque.

O que é networking?

Networking é a rede de contatos profissionais que você cultiva ao longo do tempo. O Michaelis define networking como "rede de contato com pessoas que ocorrem no dia a dia, pessoalmente, por telefone ou pela internet, para as inúmeras necessidades e especialmente para a carreira profissional".

O Merriam-Webster, dicionário de inglês, é mais próximo do mundo dos negócios: "the exchange of information or services among individuals, groups, or institutions", e em especial "the cultivation of productive relationships for employment or business" (em tradução livre: a troca de informações ou serviços entre pessoas, grupos ou instituições; em especial, o cultivo de relações produtivas para emprego ou negócios).

A formulação que eu uso com donos de negócio vem daí: networking é manter relações profissionais úteis nos dois sentidos. Essa frase é da Consylion, não de dicionário. O "dois sentidos" é a ideia de troca do Merriam-Webster.

Qual a diferença entre network e networking?

Network é a rede: as pessoas que você conhece. Networking é o que você faz com ela, cultivar. Essa distinção é uma explicação nossa. O Michaelis define "network" em outro sentido (rede de rádio e TV) e manda ver o verbete "networking". Na prática, quem pergunta "qual o objetivo do network" quer saber para que serve ter e cuidar dessa rede.

Para que serve?

Serve para ter, na hora em que precisar, alguém a quem pedir uma informação, uma apresentação ou uma indicação, e a quem você também possa oferecer algo. Para quem procura emprego, o resultado é uma vaga. Para o dono de um negócio, é cliente, parceiro e fornecedor.

O sociólogo Mark Granovetter publicou em 1973 The Strength of Weak Ties, um estudo com pessoas que mudaram de emprego num subúrbio de Boston. Ele argumenta que quem conhecemos pouco circula em círculos diferentes dos nossos e, por isso, tem acesso a informação diferente da que recebemos. É uma tese sobre achar emprego. Não prova que contato distante gere cliente. Mas me interessa por um motivo prático: o contato que você não vê há meses guarda informação nova, e é justamente o que esfria.

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Networking para quem tem negócio: a rede é uma carteira que você já tem

A maior parte do que se escreve sobre networking fala de carreira: eventos, LinkedIn, o primeiro emprego. O dono de um pequeno negócio faz outra pergunta: como essa rede se transforma em cliente, indicação e parceria sem que eu pareça interesseiro?

Não vou citar aqui um percentual de vendas que vem de indicação. Não achei uma pesquisa com fonte primária que eu pudesse abrir e conferir, e prefiro assumir a lacuna a preencher com número de segunda mão. Por isso o exemplo mais adiante usa uma suposição, dita como tal.

O que eu defendo é um diagnóstico. Para o pequeno negócio, o networking que rende não é o evento do ano. É a manutenção de gente que já conhece o seu trabalho: clientes, quem indica você e colegas do mercado. Pense numa horta. Regar pouco e sempre rende mais que um mutirão de plantio uma vez por ano, que morre quando você para de cuidar.

Se você ainda não tem um processo para transformar contato em venda, comece pelo guia de vendas na pequena empresa. O networking alimenta esse processo, mas não o substitui.

Como fazer networking, passo a passo

Passo a passo

  1. Mapeie a rede que você já tem.
  2. Separe em três grupos.
  3. Defina a frequência de cada grupo.
  4. Ofereça antes de pedir.
  5. Registre o que combinou e o próximo toque.

1. Mapeie a rede que você já tem

Escreva 30 nomes de pessoas que já conhecem o seu trabalho ou que você já atende. Comece pelos últimos clientes, por quem já indicou você e por quem trabalha no seu ramo. Pronto quando: a lista existe, em papel ou planilha, com nome e telefone.

2. Separe em três grupos

O critério que eu uso: clientes (quem já comprou), parceiros que indicam (quem atende o mesmo cliente que você, mas não concorre) e colegas de mercado (quem faz o mesmo que você e troca informação). Cada grupo pede um tipo de conversa diferente. Armadilha: tratar todos do mesmo jeito e mandar a mesma mensagem para o cliente e para o concorrente.

3. Defina a frequência de cada grupo

Também é critério meu, não norma. Como ponto de partida: parceiros que indicam a cada 30 dias, porque meu raciocínio é que eles são os que mais mandam trabalho e, sem contato, os que mais rápido deixam de lembrar de você; clientes a cada 60 dias; colegas de mercado a cada 90. O raciocínio é simples: quanto mais direto o caminho até uma venda, mais curto o intervalo.

4. Ofereça antes de pedir

Esta é a minha resposta a "como fazer networking sem parecer interesseiro": cada toque leva algo para a outra pessoa, e o pedido vem depois. O interesseiro é quem só aparece quando precisa. A tabela abaixo resume o que eu ofereço em cada grupo, com a frequência de partida.

Grupo O que oferecer Frequência Sinal de que funcionou Quando parar
Clientes Dica útil, retorno sobre algo que ele disse, aviso de manutenção A cada 60 dias Responde, volta a comprar ou comenta com alguém Pediu para não ser contatado
Parceiros que indicam Apresentar um cliente ou contato, passar uma oportunidade A cada 30 dias Cita você a um cliente ou retribui a oferta Três toques seguidos sem resposta
Colegas de mercado Informação do setor, fornecedor ou evento A cada 90 dias Troca de informação nos dois sentidos Só tira e nunca devolve

Pedir indicação cabe quando a relação já recebeu pelo menos um toque seu sem pedido e a pessoa tem motivo para lembrar de você, como uma entrega bem-feita. E só a quem tem como indicar.

5. Registre o que combinou e o próximo toque

Cada conversa acaba com uma linha no seu mapa: o que foi combinado e quando você volta a falar. Sem registro, a cadência vira boa intenção. O modelo para copiar está mais adiante.

Exemplo: a rede de uma marcenaria em Campinas

Imagine uma marcenaria sob medida em Campinas, fictícia, com números redondos para facilitar a conta. A dona mapeou 35 contatos, usando a versão enxuta do método acima (o Manual de Networking aprofunda, com planilha e mensagens prontas). Numa conta de mês de 30 dias:

Exemplo com números

Marcenaria em Campinas · toques por mês

Grupo Contatos Frequência Toques por mês Minutos por mês
Clientes 12 a cada 60 dias 6 60
Parceiros que indicam (arquitetos, lojas de móveis) 14 a cada 30 dias 14 140
Colegas de mercado 9 a cada 90 dias 3 30
Total 35 23 230

Números de exemplo fictício. Troque pelos seus.

A conta: 12 contatos a cada 60 dias dão 6 toques por mês (12 × 30 ÷ 60); 14 a cada 30 dias, 14 toques; 9 a cada 90 dias, 3 toques. Somam 23 toques, cerca de 5 por semana (23 ÷ 4,33 semanas por mês). Com 10 minutos por toque, são 230 minutos por mês, uns 53 por semana: pouco menos de 1 hora.

Infográfico

Infográfico de um exemplo fictício: 35 contatos em três grupos pedem 23 toques por mês (6 de clientes, 14 de parceiros, 3 de colegas), 230 minutos, e o que oferecer a cada grupo.
Quem você procura, quando e com o quê: 23 toques por mêsBaixar o infográfico
Ler o infográfico em texto

A rede de 35 contatos de uma marcenaria: 230 minutos por mês, uns 53 por semana, a 10 minutos por toque

O que oferecer a cada grupo, e quando

FrequênciaO que oferecerSinal de que funcionou
Parceiros que indicamA cada 30 diasApresentar um clienteCita você ou retribui
ClientesA cada 60 diasDica útil ou avisoResponde ou volta a comprar
Colegas de mercadoA cada 90 diasInformação do setorTroca nos dois sentidos

Os 23 toques do mês (mês de 30 dias)

ParteValor% do total
Parceiros que indicam (14 contatos, a cada 30 dias)14 toques60,9%
Clientes (12 contatos, a cada 60 dias)6 toques26,1%
Colegas de mercado (9 contatos, a cada 90 dias)3 toques13,0%
Total23 toques100%

Fonte: Cadência e regra de dar antes de pedir: critério da Consylion, não norma; conta do exemplo do artigo. Exemplo fictício, com números redondos. A cadência de 60, 30 e 90 dias é critério da Consylion. Troque pelos seus.

Agora o retorno, com duas suposições minhas, que não são dado de mercado: o ticket médio de uma obra é R$ 4.000, e uma indicação vira venda a cada dois meses, 6 por ano. O custo em dinheiro são 12 cafés ou almoços com parceiros, um por mês, a R$ 150: R$ 1.800 por ano. Os 14 parceiros recebem 168 toques por ano (14 × 12), então os cafés cobrem só 12 deles. Os outros 156 são mensagens, que não custam nada além do tempo.

O tempo é de 230 × 12 = 2.760 minutos, ou 46 horas por ano.

Exemplo com números

Marcenaria em Campinas · um ano de networking

Com 1 indicação a cada 2 meses Sem nenhuma indicação
Vendas vindas de indicação 6 × R$ 4.000 = R$ 24.000 (receita bruta) R$ 0
Custo em dinheiro (12 cafés de R$ 150) R$ 1.800 R$ 1.800
Tempo 46 horas 46 horas

Números de exemplo fictício. Troque pelos seus.

R$ 24.000 é receita bruta, não lucro. Para saber se compensa, falta a margem da marcenaria. Só em dinheiro, R$ 1.800 ÷ R$ 24.000 dá 7,5%: se a margem de uma obra passar disso, os cafés se pagam, sem contar as 46 horas. Para chegar à sua margem, use a calculadora de lucro.

E se nenhuma indicação vier? Perde-se R$ 1.800 e 46 horas, e a conta não fecha. Antes de concluir que networking não funciona, eu revisaria três coisas por 90 dias: a mensagem (ela leva algo útil?), o grupo (os parceiros são mesmo quem atende o seu cliente?) e a cadência (está leve demais ou pesada demais?). Nesses 90 dias, o custo é de uns R$ 450 (3 cafés) e 11,5 horas.

Onde fazer networking: eventos, redes, grupos de indicação e dia a dia

Cada canal serve a uma parte do mapa. Em todos, vale o mesmo critério: ofereça antes de pedir.

Eventos e feiras

Servem para conhecer gente nova. Quem não conhece ninguém pode ir com uma meta pequena: conversar com duas pessoas e perguntar o que elas fazem e para quem. Anote os nomes no mesmo dia e mande uma mensagem em até uma semana, senão o contato vira cartão esquecido no bolso.

LinkedIn e Instagram

Servem para manter o contato visível entre um toque e outro. Comente algo útil, em vez de só curtir, e parta para a conversa direta quando houver motivo. Quem é tímido costuma se sentir melhor aqui, porque a conversa é escrita e um a um. Para divulgar o negócio nessas redes, veja o guia de marketing digital.

Grupos de indicação (BNI e similares)

Cada grupo de indicação tem as suas próprias regras de participação e de custo, e elas mudam de um grupo para outro. Leia essas regras antes de entrar e faça a mesma conta do exemplo: quantos toques e quantas horas por mês o grupo vai pedir.

Quem você já atende

É o canal mais barato e, no pequeno negócio, o primeiro que eu usaria. Um cliente satisfeito que recebe um retorno depois da entrega tem motivo para lembrar de você.

O erro mais comum

Coletar contatos em vez de manter relações. O dono volta de um evento com 40 cartões, manda uma mensagem pedindo orçamento e some por seis meses. Quando precisa de indicação, reaparece. É o que as pessoas chamam de interesseiro, e a causa é um calendário: ninguém agendou o toque entre uma necessidade e outra.

A correção é simples e chata: um dia fixo na semana, uma lista de quem procurar e um registro do que combinaram.

Modelo pronto: mapa de relacionamentos e 3 mensagens

Copie para uma planilha ou caderno. Uma linha por pessoa:

Modelo pronto para copiar

Mapa de relacionamentos

Nome Grupo Último contato O que combinamos Próximo toque O que posso oferecer
Ana (arquiteta) Parceiro 05/10 Indicar um cliente de cozinha 04/11 Foto da última obra
Carlos (cliente) Cliente 12/09 Revisão do armário em 3 meses 12/12 Dica de manutenção
Paulo (marceneiro) Colega 20/08 Trocar contato de fornecedor 20/11 Contato de um fornecedor

Três mensagens curtas de reaproximação, uma por grupo. Troque o que está entre colchetes:

  • Cliente: "Oi, [nome]! Faz [tempo] que entregamos [o trabalho]. Como está? Se quiser, passo aí para uma revisão sem custo. E uma dica: [dica de cuidado]."
  • Parceiro: "Oi, [nome]! Fechei a obra de [tipo] que te contei e lembrei de você. Se tiver cliente com projeto parecido, posso te mandar fotos. E você, como está o movimento?"
  • Colega: "Oi, [nome]! Descobri um fornecedor de [item] com prazo menor. Quer o contato? E se souber de algo para o seu lado, me avisa."

A planilha completa e as 14 mensagens, convites e pautas ficam no Manual de Networking, logo abaixo.

Exercício de 30 minutos

Mão na massa · 30 minutos

Seus primeiros toques em 30 minutos

  • Minutos 0 a 10: liste 30 pessoas que já conhecem o seu trabalho.
  • Minutos 10 a 20: classifique cada uma em cliente, parceiro que indica ou colega de mercado, e defina a frequência de cada grupo.
  • Minutos 20 a 30: escolha os 5 primeiros toques da semana, escreva a mensagem de cada um e agende o dia e a hora.
  • Pronto quando: você tem 30 nomes em três grupos e 5 toques agendados, com o que vai oferecer em cada um.

Tente por 90 dias antes de decidir. Rede de contatos é cultivo, e a colheita demora mais que uma mensagem.

Para levar
Rede de contatos não se coleta. Se rega.

Padrão Consylion de aconselhamento

Como usar este conselho

De onde vem
As definições do Michaelis e do Merriam-Webster, a tese de Granovetter (1973) sobre laços fracos, e o método de relacionamento da Consylion: três grupos, cadência por grupo e dar antes de pedir. As 4 fontes estão listadas no fim do artigo.
Quando se aplica
  • Dono de comércio ou serviço com 1 a 9 pessoas que já tem alguns clientes e parceiros.
  • Negócio que vende por relacionamento, indicação e parceria.
Limites
  • Os três grupos, as cadências de 60, 30 e 90 dias e o dar antes de pedir são critérios meus, não normas. Ajuste ao seu ritmo de venda.
  • Os números do exemplo, inclusive a indicação convertida a cada dois meses, são suposições e não prometem aumento de vendas.
  • Não serve a quem ainda não tem nenhum cliente ou contato (comece pelo processo de vendas) e não é conselho de carreira ou de emprego.
Na prática
Uma planilha ou o mapa do artigo, cerca de 10 minutos por toque e pouco menos de 1 hora por semana.
Como medir o resultado
  • Toda semana: quantos toques você fez, contra os que agendou.
  • Em 90 dias: indicações recebidas e vendas que vieram de indicação.
Quando revisar
  • Depois de 90 dias sem nenhuma indicação: revise a mensagem, o grupo e a cadência.
  • O seu volume de contatos ou o seu tempo disponível mudar de forma importante.

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Perguntas frequentes

Dá para fazer networking só pelo WhatsApp e pelo LinkedIn?
Dá, desde que a mensagem tenha motivo. O Michaelis inclui contatos pessoais, por telefone e pela internet na própria definição. O canal importa menos que o conteúdo: um aviso útil, uma apresentação ou um retorno sobre algo que a pessoa disse funcionam em qualquer um. Mensagem de 'só passando para lembrar' esfria a relação em qualquer canal.
Quanto tempo por semana o networking pede?
Depende do tamanho da rede e da cadência. No exemplo do artigo, 35 contatos pedem 23 toques por mês, cerca de 5 por semana, e 10 minutos por toque dão 230 minutos por mês, uns 53 por semana. É uma conta ilustrativa. A sua sai do número de contatos e da frequência que você definir para cada grupo.
Networking funciona para MEI e para quem trabalha sozinho?
A lógica é a mesma. Na minha leitura, quem trabalha sozinho tem menos tempo para prospectar e costuma contar mais com indicação e parceiros. O que muda é a escala: uma rede de 15 a 20 pessoas já pede poucos toques por semana. Comece pelos clientes e pelos parceiros que podem indicar, e deixe os colegas de mercado para depois.
Como saber se o meu networking está funcionando?
Olhe dois números por trimestre: quantas indicações você recebeu e quantas viraram venda. Antes disso, meça o que depende só de você: os toques feitos contra os agendados. Se você cumpriu a cadência por 90 dias e não veio nenhuma indicação, revise a mensagem, o grupo e a cadência antes de concluir que não funciona.
Edson Oliveira

Quem escreveu

Edson Oliveira

Fundador da Consylion e criador do Protocolo Consylion™

Li mais de 2.000 livros de negócios e reuni nos manuais da Consylion os métodos que uma pequena empresa consegue aplicar. Aqui, escrevo o passo a passo para você usar no seu negócio, com exemplos e a fonte de cada número.

Como produzimos este conteúdo

A pauta parte das dúvidas reais de quem toca uma pequena empresa e dos métodos dos manuais Consylion. O texto é escrito com apoio de inteligência artificial e segue o padrão editorial da Consylion: cada número, regra e citação vem de uma fonte confiável (órgãos públicos, normas, leis e pesquisas com metodologia publicada), aberta e conferida, e está listada no fim do artigo; o que não pode ser verificado não entra. Os exemplos com números são ilustrativos e estão identificados como tal. Quando surgem dados melhores ou as regras mudam, o artigo é revisado. Última revisão em . Leia a política editorial completa.

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Fontes citadas

  1. 01 Michaelis On-line — networking
  2. 02 Michaelis On-line — network
  3. 03 Merriam-Webster — networking
  4. 04 Granovetter, M. (1973). The Strength of Weak Ties. American Journal of Sociology, 78(6), 1360-1380 (cópia do texto, MIT Media Lab)